O presente texto pretende problematizar as práticas curriculares de educação infantil que entrecruzam os documentos nacionais publicados pelo Ministério da Educação via Secretaria de Educação Básica (MEC/SEB) durante os anos de 1998 a 2012. Entre eles, podemos enfatizar o Parecer nº 22/98, a Resolução CEB nº01/99, o Referencial Curricular Nacional para Educação Infantil. Formação Pessoal e Social (1998), a Resolução Nº05/2009; as Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Infantil (2010) e Brinquedos e Brincadeiras de Creches. Manual de Orientação Pedagógica (2012). É preciso dar visibilidade as relações de saber-poder e as condições de possibilidade em que o objeto é constituído. Para isso, a pesquisa bibliográfica e documental, abrangeu a análise arqueogenealógica de Michael Foucault com a inserção de alguns conceitos como: o sujeito, o poder, o saber, o dispositivo, a governamentalidade, a subjetividade, as práticas discursivas (saber) e práticas não discursivas (poder). Os saberes em especial da pedagogia e a psicologia que integram os documentos apresentam uma série de princípios, orientações didáticas e estratégias de ensino/aprendizagem para forjar uma formação contínua e produtiva da criança na educação infantil. Ambos vão sendo organizados no sistema de expertise que assinalam a formação de sujeitos específicos com base na cognição para constituir a criança autônoma no dispositivo curricular. Deste modo, a autonomia aparece nos documentos como uma estratégia disciplinar na preparação da criança para o governo e controle de conduta no aprendizado, ou seja, a promoção de um indivíduo autogovernado no futuro, alinhado ao capitalismo cognitivo e a produção de práticas de si. Um sujeito autônomo, empreendedor e ativo na aprendizagem interligado a racionalidades específicas desenvolvidas pela economia política global ao produzir subjetividades infantilizadas, às quais estão sempre se atualizando no corpo social.

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