A finalidade desta pesquisa visou analisar o cenário epistemológico no qual se configura o Campo Científico da Área de Educação Física no Brasil a partir da produção acadêmica oriunda dos Programas de Pós-Graduação. Como se configura e caracteriza o capital intelectual e científico na produção acadêmica oriunda do campo da Educação Física no Brasil? De que maneira a qualificação de alto nível das quais se investem os docentes da educação superior titulados com mestrado e doutorado constitui um capital intelectual capaz de gerar e consolidar a produção de capital cultural científico no Campo da área de Educação Física? Como este fenômeno se metamorfoseia nas estratégias e disputas pela produtividade intelectual entre os agentes que compõem o corpo docente que atua no Campo Científico dos Programas de PósGraduação em Educação Física classificados pela CAPES com as notas 3, 4, 5 e 6? De que forma o capital intelectual adquirido com a formação de alto nível se transfigura em capital cultural científico capaz de potencializar a geração de conhecimento nesse Campo? O estudo se pautou na análise bibliográfica e documental com fundamentação teórica na noção de Campo proposta por Pierre Bourdieu. Elegi como período histórico para análise do objeto de estudo o intervalo de 2003-2013. Os resultados apontam que o Campo da Educação Física não se reduz a reprodução de determinações externas, da ciência, da tecnologia e da produtividade implícita na atual política da pós-graduação, mas nas disputas internas do Campo, no papel dos agentes e na relativa autonomia de subcampos, nas disputas epistemológicas entre a produção dos agentes dos subcampos biodinâmica (70%) e sociocultural (30%). Nesta disputa têm prevalecido os modelos clássicos de ciência reinventados com as novas tecnologias na obtenção de dados objetivos, mensuráveis pelo impacto de sua citação e que reforçam as posições dos agentes que atuam nesta lógica de ciência. O avanço no Campo é o resultado de estratégias utilizadas pelos agentes, para obtenção de poder simbólico. As mais utilizadas são participação em rede de pesquisadores e a coautoria em artigos publicados em periódicos. As menos acionadas são a participação em entidades científicas, o estágio pós-doutoral e a participação em liderança de grupos de pesquisa. A produção de capital científico se deu de forma oscilante, assimétrica e em alguns casos não ocorreu. A formação de capital intelectual não garante que esta se converta em capital científico, pois mesmo com a sua redução, o capital científico aumentou. A relação entre a produção de capital intelectual e científico se dá de forma excludente. A ênfase que se adota é quase exclusiva na produtividade internacional, em outros casos ocorre produção internacional reduzida, mas com significativa produção nacional.

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