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Resistências Sindicais e Condições de Trabalho dos Professores da Educação Básica Durante o Período Neoliberal (Anos 1990) na Bolívia e no Brasil: Um Estudo Comparado

15 de Maio, 2025 . Teses Gabriela Milenka Arraya Villarreal

A tese, inserida na linha de pesquisa Formação de Professores, Trabalho Docente, Teorias e Práticas Educativas, do Programa de Pós-Graduação em Educação do Instituto de Ciências da Educação da Universidade Federal do Pará. estuda o processo de resistência sindical dos professores da educação básica às reformas neoliberais dos anos 1990 e pretende fazer uma comparação entre dois países da América Latina. A pesquisa se desenvolveu a partir do seguinte problema: como se têm caracterizado as ações de resistência dos professores às Reformas Educacionais na Bolívia e no Brasil no contexto neoliberal? A partir da questão projetou-se o seguinte objetivo: analisar os processos de resistência sindical e as condições de trabalho dos professores da educação básica durante o período neoliberal (anos 1990) na Bolívia e no Brasil, comparando as suas coincidências e especificidades de suas ações. Nos procedimentos metodológicos o estudo priorizou a abordagem qualitativa e a comparação como método. A coleta de dados teve diferentes fontes: revisão bibliográfica, revisão de literatura e entrevistas semiestruturadas. Na análise de dados se utilizou da Análise Crítica do Discurso. Os resultados apontam que as diferenças das resistências entre os professores da Bolívia e do Brasil às reformas educacionais dos anos 1990 anos, caracterizados pela ascensão do neoliberalismo na América Latina, dão-se pelos significados que têm para esses as reformas educacionais. que Para os professores da Bolívia foi de uma “lei maldita”, no entanto para os professores brasileiros uma lei necessária no que se perderam algumas reivindicações, pelo que ainda deveria se lutar; ao contrário dos professores da Bolívia que lutaram pela ab-rogação completa da lei, igualmente as formas de resistência foram distintas. De um lado, na Bolívia os sindicatos docentes recorreram à ação direta como forma de luta, no entanto os professores do Brasil, sem abrir mão de greves e protestos, usaram a negociação e pressão parlamentar como forma de luta. Por outro lado, os sindicatos docentes mostram uma diferença importante: os sindicatos docentes bolivianos encontram-se divididos entre o magistério rural e magistério urbano, divisão que teve muita influência no processo de resistência enfraquecendo o movimento. No entanto, a característica sindical docente do Brasil é a fragmentação por razões de divisão geográfica e níveis de administração política (municípios, estados e governo federal), fato que também interfere nos processos de resistência. Concluiu-se que, as diferenças e similaridades nos processos de resistência dos professores às reformas educacionais na Bolívia e no Brasil, têm a ver com um passado histórico comum: colonização, conformação da república, ditaduras e a introdução do neoliberalismo; além das reformas serem orientadas pelas diretrizes dos organismos internacionais; mas as diferenças também tem a ver com questões históricas, como a diferente conformação dos sindicatos docentes, os seus referentes de luta e também o diferente lugar que ocupam nas relações econômicas internacionais.

Autor(a)

Gabriela Milenka Arraya Villarreal

Orientador(a)

Arlete Maria Monte de Camargo

Curso

Educação

Instituição

UFPA

Ano

2023