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Produção do Espaço Urbano e Vida Cotidiana: Uma Análise nos Diferentes Assentamentos Urbanos em Castanhal-PA

16 de Junho, 2025 . Dissertações Karina Pimentel dos Santos

Compreende-se que a cidade não se caracteriza enquanto um molde pronto e acabado, servindo apenas como um palco para a atuação da sociedade, pelo contrário, é reflexo das relações sociais nela existentes. Embasado na ideia de que o espaço é uma ‘condição’ para que a natureza e sociedade existam, um ‘meio’ para que esta se reproduza e ao mesmo tempo ‘produto’ de suas ações e transformações (LEFEBVRE, 2008), o espaço urbano é considerado dinâmico, produzido por diferentes agentes e em constante processo de estruturação. Pautado nessas afirmações, o presente trabalho tem como objetivo principal compreender o processo de produção do espaço urbano de Castanhal/PA a partir dos diferentes espaços de assentamentos, analisando a expansão territorial e os efeitos na vida cotidiana dos moradores. Castanhal faz parte da Região Metropolitana de Belém – RMB e caracteriza-se enquanto uma cidade-região que, segundo Magalhães (2008), seria entendida como uma área metropolitana mais concisa e somada ao seu entorno imediato e que inclui uma série de centralidades de pequeno e médio porte que estão ao alcance das relações originárias da metrópole, a cidade-região ganha forma com o espraiamento das dinâmicas e relações metropolitanas, entretanto, mantém sua centralidade própria – no caso de Castanhal – polarizando quatorze cidades ao entorno e sendo considerada enquanto um Centro Sub-regional A segundo o estudo da REGIC – Região de Influência das Cidades (IBGE, 2008). Dessa maneira, o tecido urbano reflete o crescimento e desenvolvimento de Castanhal diante da complexidade urbano-regional que a mesma apresenta, a intensa produção dos assentamentos urbanos nas áreas periféricas é um exemplo desse processo e são estruturados por diferentes agentes, os que mais se destacam são: o Estado, o capital privado imobiliário e a população socialmente excluída. Cada um deles produzem formas distintas que moldam esses espaços de habitação, intitulados enquanto: assentamentos planejados pelo Estado (organizado a partir das construções do Programa Minha Casa Minha Vida – PMCMV); assentamentos dirigidos pelo capital provado imobiliário (com os empreendimentos de médio e alto padrão, como os grandes condomínios fechados e bairros planejados); e os assentamentos precários organizados a partir da autoconstrução pela população socialmente excluída (localizados em áreas irregulares e com péssimas condições dos equipamentos urbanos). Pôde-se verificar o intenso processo de produção do tecido urbano da cidade composto pela lógica de atuação e espacialização desses agentes, que apesar de atuarem em áreas próximas, na periferia, modificam e estruturam esses espaços de maneira distinta. A partir das entrevistas com os morados nesses empreendimentos analisou-se a forte influência desse processo na vida cotidiana das famílias, moldada a partir de cada assentamentos, seja pelos elementos de imposição do local de moradia, nos empreendimentos do PMCMV; pelo cotidiano fortemente regulado dos moradores dos condomínios fechados; ou pela segregação espacial da população socialmente excluída que sofrem com as precárias condições de habitação, entre outros fatores.

Autor(a)

Karina Pimentel dos Santos

Orientador(a)

Márcio Douglas Brito Amaral

Curso

Geografia

Instituição

UFPA

Ano

2017