Compreende-se que a cidade não se caracteriza enquanto um molde pronto e acabado, servindo apenas como um palco para a atuação da sociedade, pelo contrário, é reflexo das relações sociais nela existentes. Embasado na ideia de que o espaço é uma ‘condição’ para que a natureza e sociedade existam, um ‘meio’ para que esta se reproduza e ao mesmo tempo ‘produto’ de suas ações e transformações (LEFEBVRE, 2008), o espaço urbano é considerado dinâmico, produzido por diferentes agentes e em constante processo de estruturação. Pautado nessas afirmações, o presente trabalho tem como objetivo principal compreender o processo de produção do espaço urbano de Castanhal/PA a partir dos diferentes espaços de assentamentos, analisando a expansão territorial e os efeitos na vida cotidiana dos moradores. Castanhal faz parte da Região Metropolitana de Belém – RMB e caracteriza-se enquanto uma cidade-região que, segundo Magalhães (2008), seria entendida como uma área metropolitana mais concisa e somada ao seu entorno imediato e que inclui uma série de centralidades de pequeno e médio porte que estão ao alcance das relações originárias da metrópole, a cidade-região ganha forma com o espraiamento das dinâmicas e relações metropolitanas, entretanto, mantém sua centralidade própria – no caso de Castanhal – polarizando quatorze cidades ao entorno e sendo considerada enquanto um Centro Sub-regional A segundo o estudo da REGIC – Região de Influência das Cidades (IBGE, 2008). Dessa maneira, o tecido urbano reflete o crescimento e desenvolvimento de Castanhal diante da complexidade urbano-regional que a mesma apresenta, a intensa produção dos assentamentos urbanos nas áreas periféricas é um exemplo desse processo e são estruturados por diferentes agentes, os que mais se destacam são: o Estado, o capital privado imobiliário e a população socialmente excluída. Cada um deles produzem formas distintas que moldam esses espaços de habitação, intitulados enquanto: assentamentos planejados pelo Estado (organizado a partir das construções do Programa Minha Casa Minha Vida – PMCMV); assentamentos dirigidos pelo capital provado imobiliário (com os empreendimentos de médio e alto padrão, como os grandes condomínios fechados e bairros planejados); e os assentamentos precários organizados a partir da autoconstrução pela população socialmente excluída (localizados em áreas irregulares e com péssimas condições dos equipamentos urbanos). Pôde-se verificar o intenso processo de produção do tecido urbano da cidade composto pela lógica de atuação e espacialização desses agentes, que apesar de atuarem em áreas próximas, na periferia, modificam e estruturam esses espaços de maneira distinta. A partir das entrevistas com os morados nesses empreendimentos analisou-se a forte influência desse processo na vida cotidiana das famílias, moldada a partir de cada assentamentos, seja pelos elementos de imposição do local de moradia, nos empreendimentos do PMCMV; pelo cotidiano fortemente regulado dos moradores dos condomínios fechados; ou pela segregação espacial da população socialmente excluída que sofrem com as precárias condições de habitação, entre outros fatores.
Produção do Espaço Urbano e Vida Cotidiana: Uma Análise nos Diferentes Assentamentos Urbanos em Castanhal-PA
Karina Pimentel dos Santos
Orientador(a)
Márcio Douglas Brito Amaral
Curso
Geografia
Instituição
UFPA
Ano
2017


