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Políticas de Formação Continuada: O que Pensam os Formadores do Centro de Formação de Educadores Paulo Freire?

29 de Abril, 2025 . Dissertações Glenda Caroline Meireles da Costa Rodrigues

Esta dissertação objetiva dialogar sobre a perspectiva dos formadores a respeito das políticas educacionais de formação continuada da RME de Belém. Elegemos, como referencial teórico, as contribuições de Freire (1996), Gatti (2008), Curado Silva (2017) e Shiroma (2018), que contribuíram para a análise sobre as concepções de formação continuada de professores e nortearam o debate acerca dos desafios e das perspectivas atuais do trabalho docente. A abordagem metodológica é de natureza qualitativa. Para coleta de dados, fizemos, inicialmente, uma revisão da literatura do tipo Estado do Conhecimento e a análise documental. Também realizamos uma pesquisa de campo, na qual foi aplicado um questionário aos sujeitos da pesquisa e uma entrevista semiestruturada com parte dos envolvidos, além do acompanhamento e da observação das atividades dos formadores. Os resultados indicaram que, apesar de os estudos sobre a formação continuada de professores estarem em destaque no Brasil desde 1970, ainda há muito o que explorar sobre suas concepções e terminologias. Existem muitos programas sendo oferecidos por todo país, em que o professor, a escola ou o “mercado educacional” têm sido o centro dessas formações. De um lado, há formações veementemente influenciadas pelos Organismos Internacionais, conduzidas pelo gerencialismo e pelos interesses empresariais neoliberais, em que não há uma participação efetiva dos professores nas escolhas dos conteúdos, tampouco preocupação com relação às reais necessidades dos alunos, visto que o centro do processo são as avaliações em larga escala. De outro, existem e resistem programas de formação continuada que se opõem à lógica privada de aligeiramento das formações, em que os programas são pensados a partir de uma perspectiva de formação permanente, voltada para uma práxis educativa crítica e emancipadora, centrada na escola como lócus de formação humana, e não como forma de barateamento da formação, pois é necessário partir da escola, porém, é preciso ir além dela. Entre as principais percepções dos formadores da RME sobre a formação continuada, destacou-se a autonomia conquistada na atual gestão, em que a formação dos professores pode ser pensada a partir da realidade local, oportunizando o trabalho com o tema gerador. Os formadores entendem que está sendo construído um “novo” Centro de Formação, com todos os educadores que participam da escola, e percebem que é um momento de desconstrução de algumas práticas e de reconstrução de concepções. Também relatam que gostariam de estar mais próximos das escolas, dos professores e alunos, no entanto, a crescente demanda de trabalho tem dificultado essa aproximação. Entretanto, os formadores sentem que estão no “caminho certo”, mas ainda há muito a ser feito e um longo processo pela frente. Concluímos ainda que pouco tem se pesquisado sobre os professores formadores que atuam nos programas ofertados por secretarias municipais e estaduais de educação, o perfil desses formadores, sua formação (inicial e continuada), a autonomia desses profissionais diante das políticas nacionais de formação e avaliação, as condições de trabalho perante um contexto de precarização e intensificação do trabalho docente no Brasil.

Autor(a)

Glenda Caroline Meireles da Costa Rodrigues

Orientador(a)

Arlete Maria Monte de Camargo

Curso

Educação

Instituição

UFPA

Ano

2023