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Na Safra e na Entresafra do Açaí: Usos do Território e Modo de Vida da População Ribeirinha do Baixo Rio Meruú Igarapé-Miri/PA

9 de Junho, 2025 . Dissertações Rosemildo Santos Lima

O espaço amazônico, em sua complexidade, se apresenta de forma multifacetada, tanto em seus aspectos naturais, quanto nas sociedades que fazem desse espaço seus locais de vivência cotidiana e de produção material e imaterial de suas existências. Em tal espaço, as comunidades locais, como os ribeirinhos, com suas marcas inconfundíveis nas paisagens e com suas múltiplas territorialidades, desenvolvem diferentes estratégias de sobrevivência ligadas diretamente aos seus modos de vida. Este estudo buscou avaliar o espaço amazônico pelo prisma de sua complexidade, tendo como conceitos centrais a territorialidade e o modo de vida da população ribeirinha do baixo rio Meruú em Igarapé-Miri-PA. O objetivo é discutir, a partir de revisão bibliográfica, observação empírica, entrevistas estruturadas e semi-estruturadas, bem como pelo uso de mapeamento participativo, a constituição das territorialidades e do modo de vida da população local. A pesquisa permitiu afirmar que os ribeirinhos do baixo rio Meruú desenvolvem estratégias de sobrevivência intimamente ligadas à safra e entressafra do açaí. Neste sentido, enxergamos a comunidade a partir da constituição de sua dinâmica social, econômica e cultural, em grande parte ligada à sazonalidade do açaí. Isso porque o comércio do fruto é a base de suas reproduções materiais, mas também é geradora de uma apropriação imaterial do produto, pois é dotado de outros significados, além de ser e essencial para a segurança alimentar. Paralelamente ao manejo, extração e comercialização do açaí existem múltiplas estratégias de sobrevivência, principalmente na entressafra do fruto, que afirmam e sustentam a relação entre o homem e a natureza local reforçando o sentido de pertencer a um território que lhes pertence. Esta condição permitiu compreender a territorialidade e o modo de vida da população que produz um território não apenas desigual, mas também diferenciado, pois é moldado não somente pela força do comercio do açaí, mas também pela materialização de um modo de vida que se transforma e se afirma no fazer cotidiano e na relação íntima com essa cultura extrativista.

Autor(a)

Rosemildo Santos Lima

Orientador(a)

Christian Nunes da Silva

Curso

Geografia

Instituição

UFPA

Ano

2013