Skip to main content

Língua como Linha de Força do Dispositivo Colonial: Os Gavião Entre a Aldeia e a Universidade

5 de Junho, 2025 . Teses Flávia Marinho Lisbôa

O presente trabalho propõe uma reflexão sobre o papel da língua nas práticas sociodiscursivas da universidade, como instituição de materialização das normatividades hegemônicas do dispositivo colonial, para a permanência de alunos indígenas Gavião dos grupos Parkatejê, Akrãtikatejê e Kyikatjê na Universidade Federal do Sul e Sudeste do Pará (Unifesspa). Formulou-se uma ferramenta teóricometodológica a partir dos Estudos Pós-Coloniais (especialmente Walter Mignolo, Aníbal Quijano, Catherine Walsh e Àngel Rama) e da análise do discurso arquegenealógica de Michel Foucault, fundamentalmente na noção de “dispositivo”, também com a colaboração da leitura de Neves (2009, 2015) sobre o dispositivo foucaultiano, que resultou na proposta de “dispositivo colonial”. As quatro linhas (Visibilidade, Enunciação, Subjetividade e Força) desenhadas por Deleuze (2006) para o dispositivo de Foucault é outra influência estrutural na tese, das quais tomou-se duas (Subjetividade e Força) para apresentar as oscilações do funcionamento do dispositivo colonial na universidade ao longo da história e a partir da entrada de indígenas em função das ações afirmativas nos últimos dez anos. Dentro dessas linhas, observou-se que o perfil hegemônico da universidade é tensionado com a presença indígena e a língua se apresenta como a linha de força, costurando as práticas discursivas que garantem as normatividades do dispositivo colonial nesse contexto.

Autor(a)

Flávia Marinho Lisbôa

Orientador(a)

Ivânia dos Santos Neves

Curso

Letras

Instituição

UFPA

Ano

2019