A presente tese tem o objetivo de analisar a escola normal do Pará, no período de 1890 a 1926, no que se refere ao prédio e seus espaços, aos bancos-mesas e uniformes escolares e à trajetória pessoal e profissional dos professores e professoras numa perspectiva de estabelecer relações entre esses elementos e a cultura escolar. O referencial teórico-metodológico da pesquisa baseou-se na concepção de História Cultural e Cultura Escolar, segundo autores como Chartier (1988,1999), Julia (2001), Felgueiras (2010), Frago (1998), Faria Filho (2014), entre outros. A metodologia utilizada foi basicamente o estudo documental. Para a análise da trajetória pessoal e profissional dos professores, também se utilizou a prosopografia como método auxiliar. A Escola Normal em Belém do Pará tem a sua origem associada ao ideal de homem moderno almejado não apenas pela República nascente, mas também pela noção de progresso e civilização decorrente da ―Belle Époque‖. Contraditoriamente, os primeiros prédios eram propriedades particulares muito precárias. A modernização do prédio de acordo com os novos preceitos pedagógicos só viria a acontecer em 1903, no governo de Augusto Montenegro. Foi quando o prédio da Escola Normal apresentou as reformas alinhadas com o que se esperava da pedagogia moderna. Na Europa e nas Américas, as carteiras escolares tiveram sua evolução de acordo com as ideias higienistas e pedagógicas, conforme Machado (2004). Em Belém, o critério de escolha do governo para adotar os bancosmesas na escola normal estava relacionado com questões como o higienismo e a moralidade. A concepção do uniforme para as alunas da Escola Normal paraense no governo de Enéias Martins era de que deveria ser ―simples e prático‖ e ter o objetivo de ser vantajoso para a Educação cívica, a disciplina e contribuir nos ―créditos‖ da escola. Os professores da escola normal, predominantemente homens e boa parte de origem estrangeira, eram considerados os intelectuais da época. Os homens trabalhavam também como advogados, literatos, artistas, políticos e redatores de jornais, enquanto as mulheres, além de professoras, exerciam apenas atividades beneficentes e de donas de casa. A formação e a profissionalização desses professores geralmente estavam relacionadas com a prática escolar desenvolvida na escola normal. Os professores eram disseminadores da cultura e do saber não apenas no âmbito escolar, mas também por outros meios em toda a sociedade. Todavia, a profissão continuava sendo associada a um sacerdócio.
Escola Normal do Pará na Perspectiva da Cultura Escolar (1890-1926), A
Damiana Valente Guimarães Gutierres
Orientador(a)
César Augusto Castro
Curso
Educação
Instituição
UFPA
Ano
2021


