Skip to main content

Educação Libertadora e Feminismo Negro: Uma Teia Conceitual de Resistência à Interseccionalidade das Opressões de Gênero, de Raça e de Classe

19 de Maio, 2025 . Teses Eunice Léa de Moraes

O presente estudo, mediante um olhar para a produção de Paulo Freire e a de algumas autoras do campo dos feminismos negros (notadamente Lélia Gonzalez, bell hooks e Patrícia Collins), propõe uma articulação epistemológica entre esses dois campos de saberes, evidenciando a pertinência conceitual da ideia de conhecimentos subjugados e, também, suas tensões e convergências. Com base nessa compreensão, examinaram-se e interpretaram-se pontos centrais de três obras de Freire e sete obras das autoras negras a partir de dois eixos definidos: (i) os principais fundamentos epistemológicos que demarcam as obras investigadas e (ii) os possíveis diálogos entre as abordagens epistemológicas do autor e das autoras. Assim sendo, elaborou-se uma síntese articuladora das ideias analisadas que desvela das afirmações fundamentais expressas nas obras, suas diferenciações e convergências em resposta ao problema formulado na tese: quais são os referenciais epistemológicos da educação libertadora e do feminismo negro e como estes referenciais podem se inter-relacionar na perspectiva de uma prática político-pedagógica de resistência à interseccionalidade das opressões de gênero, de raça e de classe? Dessa forma, poderão ser estabelecidas novas percepções orientadoras de uma práxis transformadora que, mesmo partindo de referenciais teóricos distintos, possibilite pontos comuns de análise, transitando pelo reconhecimento da opressão, pela importância do valor da luta social e pela valorização das identidades e da equidade. O estudo se encaixa na acepção de uma tese teórica, numa abordagem histórico-críticodialética, com a adoção de um procedimento metodológico de natureza qualitativa como base da pesquisa bibliográfica dos registros das produções intelectuais das obras selecionadas. Com isso, elaborou-se uma Teia de Articulação Epistemológica de Resistencia à Interseccionalidade das Opressões de Classe, de Gênero e de Raça, evidenciando subsídios teóricos convergentes entre as epistemologias de Freire, Gonzales, hooks e Collins. Entre os resultados, apontam-se: o (as) referido (as) teórico (as) compartilham posições epistemológicas convergentes, no que diz respeito à importância da historicidade do processo de luta política e resistência dos oprimidos e oprimidas aos sistemas exploradores e opressores no campo das relações sociais de poder das sociedades hierarquizadas, centrada na prática político-pedagógica de resistência às opressões; os conceitos que demarcam similaridade de forma mais contundente referentes à compreensão do fenômeno da opressão entre as epistemologias são autonomia, conscientização, conhecimentos subjugados, diálogo, identidade cultural, libertação, luta política, opressão de classe, de gênero e de raça, práxis revolucionária e resistência, os quais demandam uma consciência crítica, essencial na luta e resistência às múltiplas opressões e permitem entender a realidade a partir de ponto de vista de diferentes pensamentos, advindos das experiências e sobrevivências das pessoas oprimidas, constituindo-se em elementos fundamentais de ressignificação da condição opressora e de sua superação e potencializando uma práxis educativa libertadora.

Autor(a)

Eunice Léa de Moraes

Orientador(a)

Lucia Isabel da Conceição Silva

Curso

Educação

Instituição

UFPA

Ano

2020