A presente dissertação traz em seu bojo a questão da cultura escrita autêntica das crianças de 1º ao 3º ano do ensino fundamental de uma escola pública como expressão cultural, social e epistemológica conectada ao vivido no cotidiano e a cultura escrita que se manifestam no contexto escolar. Atos de comunicação a partir do lugar que falam e deles pensam e escrevem. Nessas condições de necessária existência dialógica e dialética com o eu-mundo-outro (a) que se afloram sujeito de linguagem, de cultura. O objetivo central de investigação, analisar a importância e o significado da elaboração da linguagem escrita autêntica pelos estudantes do 1º ao 3º ano do ensino fundamental e quais relações estabelece com a cultura vivida e cultura escrita convencional para que seja possível tirá-las da invisibilidade no qual historicamente se acham submetidas pela cultura dominante no qual opera a educação escolar, de maneira que sejam valorizadas, consideradas como parte da atividade intelectual e de apropriação do conhecimento socialmente construído e como elemento da cultura. Como caminho de pesquisa a opção pela abordagem qualitativa, a etnografia pela possibilidade da proximidade para além de uma mera descrição, mas conexão com a reconstrução do sentido cultural como condição de visualização das particularidades e significados construídos. Nesse sentido, como lócus de pesquisa uma escola pública de pequeno porte localizada no nordeste paraense nos quais se acham os sujeitos investigados, crianças dos três primeiros anos escolares dos anos iniciais. Como problemática, a desconsideração da linguagem escrita autêntica das crianças na escola cujas condições históricas, culturais e sociais têm agido na invalidação do seu saber, conhecimento, consequentemente dificultando a possibilidade de pensamento autêntico. Como achados da pesquisa, tem-se a práxis, dentre elas, a prática pedagógica com características neoconservadoras e pseudodemocrática, alinhada a cultura de opressão, assentada na acepção da racionalização técnica que tem adentrado e vem se aprofundando nos primeiros anos de escolaridade dos anos iniciais o que tem provocado a invisibilização da escrita autêntica elaborada nas salas de aula e o silenciamento da voz que tem emergido destas elaborações subjetivadas que parte de uma identidade cultural e social que lhe são próprias. em detrimento de uma pretensão cultural modelo-produto de tradição no qual age na direção a uniformização de pensamentos e ações para o conformismo e o silenciamento desde a infância. Contudo a escrita autêntica vem resistindo e esta presente na sala de aula por certo período que não tendo a devida atenção por parte do (a) professor (a) fica marginalizada e a parte considerável das crianças a abandona e se adequam a reprodução tradicional. A pesquisa evidencia que as crianças são sujeitos intelectuais com um potencial criador e recriador, (re)constroem ideias acerca da linguagem escrita formal, pensando autenticamente o mundo simbolizado e significando-o, assim produz cultura. Na escola e principalmente na sala de aula há espaço para interconexões entre a cultura vivida e a linguagem formal, para as práticas contra hegemônicas desde que sejam valorizadas as escritas genuínas e fortalecidos os processos de diálogo por meio de práticas comunicativas e intercomunicativas, agindo no espaço-tempo pedagógico a favor das culturas de linguagens escritas de forma a serem apreciadas como parte do percurso de apropriação da cultura, como conhecimento. Enxergar a escrita autêntica e escutar a voz que vem dela é ir ao encontro do desenvolvimento de autonomia intelectual e da inteireza humana como condição ao exercício democrático e como prática de liberdade a manifestações das culturas das linguagens na escola que permitem desocultação da realidade objetiva para vislumbramento de sonhos possíveis que dirimem as injustiças e sofrimento.
Cultura Escrita e Cultura Vivida na Escola: Do Lugar que Pensam, Falam e Escrevem as Crianças do 1º ao 3º Ano do Ensino Fundamental
Dilza Maria Alves Rodrigues
Orientador(a)
Carlos Jorge Paixão
Curso
Educação
Instituição
UFPA
Ano
2019


