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Corpos-Vida Marcados: Memórias Autobiográficas das Práticas Socioeducativas de Mulheres Ribeirinhas Escalpeladas da Amazônia

19 de Maio, 2025 . Teses Edwana Nauar de Almeida

Esta tese tem como objeto de investigação as práticas socioeducativas de mulheres marcadas pelo escalpelamento decorrente de acidentes em embarcações nos rios da Amazônia, com o objetivo de compreender como se dá a construção da subjetividade de mulheres escalpeladas no processo de retorno social e educacional após o acidente de escalpelamento, identificando na sua trajetória biográfica as práticas socioeducativas, suas experiências, sentidos e percepções. Tem como questões norteadoras: quais práticas socioeducativas marcam os corpos de mulheres amazônicas escalpeladas? Como o processo de construção das práticas socioeducativas de mulheres vítimas de escalpelamento se delineia em suas vidas? Como as práticas socioeducativas decorrentes dos processos de sociabilidade do corpo marcado interferem na construção das subjetividades, afetividades e corporeidades das mulheres ribeirinhas escalpeladas? O estudo foi realizado com dez mulheres ribeirinhas escalpeladas. A interpretação dos significados e os sentidos das ações dessas mulheres exigiu a utilização da abordagem qualitativa do tipo (auto)biográfica, dialogando com os pressupostos da fenomenologia social de Alfred Schütz (1979), tendo a entrevista narrativa como principal fonte de produção de dados, com o intuito de desocultar as experiências e memórias para analisar a constituição de suas práticas socioeducativas. As narrativas analisadas, a partir das contribuições teóricas de Fritz Schütze (2011), evidenciam que as mulheres ribeirinhas escalpeladas participantes da pesquisa possuem corpos-vida ameaçados, pois se encontram em um estado de escalpelamento por terem que conviver com as múltiplas dimensões deste acidente: o escalpelamento políticoinstitucional, diante da negligência com que o Estado trata o homem/mulher amazônico; o escalpelamento físico em si – o acidente, que desfigura o corpo; e o escalpelamento socioeducacional, pois sofrem com o estigma de serem escalpeladas. As análises revelam ainda que os processos de sociabilidade na vivência corpórea de reinserção social e escolar das mulheres estudadas são, fundamentalmente, marcados pela dimensão corporal, não apenas pelas cicatrizes que o acidente provoca, mas também pelas marcas da autocrítica e do enfrentamento ao preconceito vivido neste processo de reinserção. Este processo traz à tona o escalpelamento socioeducativo devido à ausência de apoio escolar e exclusão social na convivência dentro e fora do espaço escolar, cujas aprendizagens são carregadas de preconceitos as quais revelam diferentes aprendizagem de si, ora marcadas pela passividade, vergonha, medo, bullying, preconceito e discriminação, ora pela recusa/resistência à vitimização.

Autor(a)

Edwana Nauar de Almeida

Orientador(a)

Cely do Socorro Costa Nunes

Curso

Educação

Instituição

UFPA

Ano

2021