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Compulsão à Repetição na Clínica Psicanalítica com Pessoas Vivendo com HIV/AIDS em Condição de Hospitalização

28 de Abril, 2025 . Dissertações Iançã Maués de Queiroz

Essa dissertação tematiza a clínica do HIV/Aids a partir da compulsão à repetição na clínica psicanalítica, tendo como objetivo investigar a manifestação clínica da compulsão à repetição e sua incidência no processo de adoecimento e hospitalização de pessoas vivendo com HIV/Aids. O conceito freudiano de compulsão à repetição foi inaugurado em “Além do princípio do prazer” (1920), no qual Freud apresentou reformulações teóricas fundamentais para a clínica psicanalítica. Ele articulou a pulsão e o trauma, demonstrando a compulsão à repetição como manifestação clínica da pulsão de morte. Ademais, foi a partir do trabalho enquanto Psicóloga Residente em uma clínica de doenças infecto-parasitárias que surgiram questionamentos e inquietações. Nos discursos clínicos foram notados casos de pacientes com um movimento autodestrutivo durante repetidas internações, nos quais também foi possível observar um sofrimento psíquico pelo modo como conduziam o seu tratamento. Seria um movimento advindo somente após o diagnóstico ou esses sujeitos já apresentavam um comportamento autodestrutivo anteriormente? Poderia o diagnóstico de HIV/Aids adentrar no circuito de repetição desses sujeitos? Dessa forma, questiona-se: Como determinadas pessoas vivendo com HIV/Aids repetem movimentos autodestrutivos que se desembocam em desvinculação do tratamento e consequentes reinternações? Pode-se pensar e afirmar, logo de início, que quanto à experiência referente ao viver com HIV e a decisão de vincular-se ao tratamento estão relacionados à posição subjetiva de cada sujeito. Mas quais processos psíquicos estão envolvidos nessa tomada de decisão? Sustentou-se a hipótese de que a experiência de repetidos movimentos autodestrutivos e consequentes reinternações hospitalares poderia ser uma manifestação clínica da compulsão à repetição, considerando que, na vivência do HIV/Aids, a incidência do fenômeno repetitivo estaria relacionada com o excesso de impulsos em estado bruto, não ligados, podendo estar associado ao diagnóstico, entendido como traumático. Contudo, evidenciou-se na pesquisa, que a compulsão à repetição estava presente de modo anterior ao adoecimento desses sujeitos, mas ainda assim, foi possível observar que o diagnóstico de HIV/Aids pode adentrar no circuito da repetição. A metodologia utilizada nesta pesquisa foi de natureza clínica-qualitativa, considerando a pesquisa em psicanálise e fazendo uso de fragmentos de casos clínicos. A pesquisa de campo foi resultado de um projeto guarda-chuva, que fez parte do projeto de pesquisa intitulado como “A Angústia e seu Manejo em Pacientes Internados com Aids no Hospital Universitário João Barros Barreto”, submetido e aprovado pelo Comitê de ética e pesquisa da UFPA. Propõe-se, sobretudo, ao invés do modelo reducionista, a complexidade, compreendendo que os pacientes atendidos nos serviços de saúde não buscam apenas um acompanhamento clínico de sua patologia, mas profissionais que possam acolher para além do processo de adoecimento, como sujeitos em suas singularidades e subjetividades. Portanto, não se trata de legislar sobre o comportamento da pessoa vivendo com HIV/aids em nome do “bem estar” e da “justiça”. Mas trata-se de considerar a história do sujeito atravessado por esse diagnóstico.

Autor(a)

Iançã Maués de Queiroz

Orientador(a)

Breno Ferreira Pena

Curso

Psicologia

Instituição

UFPA

Ano

2022