O termo autorregulação foi utilizado por Albert Bandura (1986), precursor da Teoria Social Cognitiva, para definir um tipo de mecanismo desenvolvido pelo indivíduo, de maneira consciente e interna, com o intuito de alcançar metas previamente estabelecidas. Este conceito abrange muitos aspectos do comportamento humano, inclusive o estado emocional. A Autorregulação emocional consiste na forma como o indivíduo gerencia suas emoções, que podem ser de natureza positiva ou negativa. O gerenciamento eficaz das emoções tende a contribuir em outros aspectos como sentimento de satisfação com a vida, estados afetivos, humor e consequentemente no desempenho do indivíduo, promovendo o bem-estar físico e psíquico. Sendo assim, a presente pesquisa tem como objetivo principal analisar as percepções de alunos de pós-graduação (mestrado e doutorado) sobre suas experiências nos respectivos cursos, tendo como referência estados emocionais e de humor, bem como a autorregulação emocional e as estratégias utilizadas para o gerenciamento da tristeza, alegria e raiva. Para tal, a pesquisa divide-se em quatro estudos, dos quais os dois primeiros estão em conclusão e o restante encontra-se em andamento. O artigo 1 constitui-se como uma revisão integrativa da literatura sobre a autorregularão emocional na perspectiva da Teoria Social Cognitiva, considerando o período de 2008 a 2019. Com uma abordagem quantitativa, o estudo realizou um levantamento da literatura nas bases CAPES, SCIELO, LILACS e ERIC, que após a aplicação dos critérios de inclusão, resultou em 5 artigos para análise. O artigo 2 caracterizouse como uma pesquisa empírica, de natureza quantitativa, e contou com a participação de 58 alunos de dois programas de pós-graduação, a nível de mestrado e doutorado, da Universidade Federal do Pará; com o intuito de avaliar a percepção desses alunos sobre a autorregulação emocional e seus estados afetivos no contexto acadêmico. Para coletar os dados do referido artigo, utilizou-se os seguintes instrumentos: Questionário de caracterização; Escala Analógica de Humor; Escala de Avaliação das Estratégias de Regulação Emocional de Adultos; Escala de Afeto Positivo; Escala de Satisfação com a vida. O artigo 3 caracterizou-se como uma pesquisa empírica de cunho quantitativo e utilizou a mesma amostra do estudo 2, com o objetivo de identificar os níveis de adaptação das estratégias de regulação emocional e as probabilidades de associação entre a autorregulação emocional para tristeza, alegria e raiva, e estados afetivos de alunos de pós-graduação. Os resultados do estudo 1 indicaram cinco artigos que contemplaram todos os critérios pré-estabelecidos, além disso, os construtos que obtiveram maior importância, foram: Emotional intelligence; Emotional competence; Emotion regulation; Coping. Apesar do número reduzido de artigos selecionados, percebeu-se que o gerenciamento emocional eficaz é composto por habilidades como a capacidade de identificar e enfrentar o estado emocional vivido, estratégias de natureza metacognitivas que podem influenciar o desempenho do sujeito em diferentes contextos. Os resultados do estudo 2 indicaram, entre outros achados, que a variação do humor tem envolvido características de sintomas da ansiedade, visto que um grande grupo de alunos afirmou estar em um estado de preocupação (49,9%) e com fortes sentimentos de tensão (32,8%). Quanto às características de estados afetivos, os participantes demonstraram escores satisfatórios, visto que a maioria dos itens apresentou médias entre 4 a 5, ou seja, os alunos disseram estar determinados, entusiasmados, atentos, etc. A maioria dos participantes (70,7%) afirmou estar satisfeita com a própria vida, por outro lado alguns alunos (15,5%) expressaram certa insatisfação com a vida que possuem. Quanto a autorregulação das emoções, 65,5% dos alunos disseram que estar triste atrapalha na concentração dos estudos, 79,3% afirmaram que procuram modificar seus pensamentos para controlar a raiva e 91,4% disseram que o estado emocional positivo, nesse caso a alegria, não prejudica os relacionamentos sociais. Os resultados do artigo 3 demonstraram que os discentes têm utilizado estratégias adaptativas, visto que todos os escores foram maiores que a pontuação mínima de cada subescala. Percebeu-se, ainda, que os alunos que acusaram baixos níveis de satisfação, não afirmaram ter afeto positivo para a realização de atividades do cotidiano, ou seja, não se engajam tanto para a concretização dessas tarefas. Os dados da presente pesquisa corroboraram com a literatura ainda incipiente sobre a autorregulação emocional no contexto acadêmico. Sugere-se novas pesquisas com essa temática e que acompanhem os alunos nos seus processos formativos, para que se tenha uma compreensão sólida sobre as implicações dos aspectos emocionais no desempenho dos sujeitos.
Autorregulação Emocional e Estados Afetivos no Contexto da Pós-Graduação, A
Jamille Gabriela da Silva Torquato
Orientador(a)
Maély Ferreira Holanda Ramos
Curso
Educação
Instituição
UFPA
Ano
2019


