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Autorregulação Emocional e Estados Afetivos no Contexto da Pós-Graduação, A

1 de Maio, 2025 . Dissertações Jamille Gabriela da Silva Torquato

O termo autorregulação foi utilizado por Albert Bandura (1986), precursor da Teoria Social Cognitiva, para definir um tipo de mecanismo desenvolvido pelo indivíduo, de maneira consciente e interna, com o intuito de alcançar metas previamente estabelecidas. Este conceito abrange muitos aspectos do comportamento humano, inclusive o estado emocional. A Autorregulação emocional consiste na forma como o indivíduo gerencia suas emoções, que podem ser de natureza positiva ou negativa. O gerenciamento eficaz das emoções tende a contribuir em outros aspectos como sentimento de satisfação com a vida, estados afetivos, humor e consequentemente no desempenho do indivíduo, promovendo o bem-estar físico e psíquico. Sendo assim, a presente pesquisa tem como objetivo principal analisar as percepções de alunos de pós-graduação (mestrado e doutorado) sobre suas experiências nos respectivos cursos, tendo como referência estados emocionais e de humor, bem como a autorregulação emocional e as estratégias utilizadas para o gerenciamento da tristeza, alegria e raiva. Para tal, a pesquisa divide-se em quatro estudos, dos quais os dois primeiros estão em conclusão e o restante encontra-se em andamento. O artigo 1 constitui-se como uma revisão integrativa da literatura sobre a autorregularão emocional na perspectiva da Teoria Social Cognitiva, considerando o período de 2008 a 2019. Com uma abordagem quantitativa, o estudo realizou um levantamento da literatura nas bases CAPES, SCIELO, LILACS e ERIC, que após a aplicação dos critérios de inclusão, resultou em 5 artigos para análise. O artigo 2 caracterizouse como uma pesquisa empírica, de natureza quantitativa, e contou com a participação de 58 alunos de dois programas de pós-graduação, a nível de mestrado e doutorado, da Universidade Federal do Pará; com o intuito de avaliar a percepção desses alunos sobre a autorregulação emocional e seus estados afetivos no contexto acadêmico. Para coletar os dados do referido artigo, utilizou-se os seguintes instrumentos: Questionário de caracterização; Escala Analógica de Humor; Escala de Avaliação das Estratégias de Regulação Emocional de Adultos; Escala de Afeto Positivo; Escala de Satisfação com a vida. O artigo 3 caracterizou-se como uma pesquisa empírica de cunho quantitativo e utilizou a mesma amostra do estudo 2, com o objetivo de identificar os níveis de adaptação das estratégias de regulação emocional e as probabilidades de associação entre a autorregulação emocional para tristeza, alegria e raiva, e estados afetivos de alunos de pós-graduação. Os resultados do estudo 1 indicaram cinco artigos que contemplaram todos os critérios pré-estabelecidos, além disso, os construtos que obtiveram maior importância, foram: Emotional intelligence; Emotional competence; Emotion regulation; Coping. Apesar do número reduzido de artigos selecionados, percebeu-se que o gerenciamento emocional eficaz é composto por habilidades como a capacidade de identificar e enfrentar o estado emocional vivido, estratégias de natureza metacognitivas que podem influenciar o desempenho do sujeito em diferentes contextos. Os resultados do estudo 2 indicaram, entre outros achados, que a variação do humor tem envolvido características de sintomas da ansiedade, visto que um grande grupo de alunos afirmou estar em um estado de preocupação (49,9%) e com fortes sentimentos de tensão (32,8%). Quanto às características de estados afetivos, os participantes demonstraram escores satisfatórios, visto que a maioria dos itens apresentou médias entre 4 a 5, ou seja, os alunos disseram estar determinados, entusiasmados, atentos, etc. A maioria dos participantes (70,7%) afirmou estar satisfeita com a própria vida, por outro lado alguns alunos (15,5%) expressaram certa insatisfação com a vida que possuem. Quanto a autorregulação das emoções, 65,5% dos alunos disseram que estar triste atrapalha na concentração dos estudos, 79,3% afirmaram que procuram modificar seus pensamentos para controlar a raiva e 91,4% disseram que o estado emocional positivo, nesse caso a alegria, não prejudica os relacionamentos sociais. Os resultados do artigo 3 demonstraram que os discentes têm utilizado estratégias adaptativas, visto que todos os escores foram maiores que a pontuação mínima de cada subescala. Percebeu-se, ainda, que os alunos que acusaram baixos níveis de satisfação, não afirmaram ter afeto positivo para a realização de atividades do cotidiano, ou seja, não se engajam tanto para a concretização dessas tarefas. Os dados da presente pesquisa corroboraram com a literatura ainda incipiente sobre a autorregulação emocional no contexto acadêmico. Sugere-se novas pesquisas com essa temática e que acompanhem os alunos nos seus processos formativos, para que se tenha uma compreensão sólida sobre as implicações dos aspectos emocionais no desempenho dos sujeitos.

Autor(a)

Jamille Gabriela da Silva Torquato

Orientador(a)

Maély Ferreira Holanda Ramos

Curso

Educação

Instituição

UFPA

Ano

2019