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Autoeficácia Docente e Saúde dos Professores no Contexto da Pandemia da Covid-19

14 de Maio, 2025 . Teses Erika Cristina de Carvalho Silva Pereira

A presente pesquisa teve como objetivo geral compreender a relação entre os níveis de autoeficácia docente e a autoavaliação de saúde, aspectos cognitivos, emocionais e comportamentais dos professores no contexto da pandemia da Covid-19. Para alcançar o objetivo proposto a tese foi subdividida em seis objetivos específicos, que compreendem a seis estudos, sendo dois de cunho bibliográfico (artigos 1 e 2) e quatro estudos empíricos (artigos 3, 4 5 e 6), a saber: i) caracterizar as pesquisas sobre saúde docente no contexto da pandemia (Artigo 1); ii) caracterizar os estudos sobre a autoeficácia docente no contexto da pandemia da Covid-19, publicados no período de 2020 a 2023 (Artigo 2); iii) caracterizar o trabalho dos docentes no contexto da pandemia da Covid-19 (Artigo 3); iv) identificar as dificuldades vivenciadas pelos professores relacionadas às demandas pessoais e familiares e características sociodemográficas no contexto da pandemia da Covid-19 (artigo 4); v) identificar os níveis de autoeficácia de professores brasileiros para ensinar no contexto do ensino remoto emergencial durante a pandemia da Covid-19 (Artigo 5); vi) analisar a relação entre a autoavaliação da saúde e da prevalência dos sintomas físicos, cognitivos/ emocionais e comportamentais com os níveis de autoeficácia em professor brasileiros durante a pandemia da Covid-19 (Artigo 6). No estudo 1, a partir de uma revisão integrativa da literatura, no Portal da Capes, SciELO e LILACS, foram levantados artigos científicos sobre o tema publicados no ano de 2020 e 2021. As buscas resultaram em 10 artigos para análise. Os resultados mostraram que o tema da saúde docente no contexto da pandemia é de interesse global uma vez que já existem publicações desenvolvidas em maior parte dos continentes. A análise de conteúdo denotou a presença de seis categorias mais investigadas nos artigos: Problemas de saúde mental (f = 22), Condições de trabalho (f = 14), Problemas físicos de saúde (f = 8), Prevenção e intervenção para saúde docente (f = 7), Relações sociais alteradas (f = 6) e Aspectos cognitivos (f = 5). No estudo 2, realizou-se um levantamento no Portal de periódicos da Capes, SciELO e Biblioteca Virtual em Saúde (BVS). As buscas resultaram em 35 artigos para análise. Os resultados mostraram que a maioria dos estudos foi publicada no ano de 2021 (n = 15), é de abordagem quantitativa (n = 27), do tipo transversal e cuja coleta de dados foi online (n = 32). A técnica de pesquisa mais utilizada foi o levantamento de campo (n = 33) e os participantes foram predominantemente professores da educação básica (n = 27). Entre os domínios mais investigados pelas escalas estão a Autoeficácia docente (f = 18) e Autoeficácia para lidar com o ensino remoto (f = 10). A análise das palavras-chave seu destaque aos termos educação à distância, ensino online, esgotamento e autoestima. Os estudos empíricos (3, 4, 5 e 6) foram do tipo levantamento, de abordagem quantitativa. No estudo 3, os professores responderam ao questionário sociodemográfico e de trabalho e o questionário sobre caracterização do trabalho docente durante a pandemia da Covid-19. A amostra inicial foi constituída por 450 docentes de 23 estados, dos quais 313 (69,5%) estavam lecionando remotamente. Estre estes, os resultados mostraram que a maioria dos docentes (61,7%) fez uso de aplicativos de reunião para realização das aulas. Mais de 55% não tiveram formação para ensinar no modelo online e 88,4% não receberam qualquer tipo de suporte estrutural, ficando a encargo do docente, na maioria das vezes, a aquisição dos equipamentos necessários. O principal problema relatado pelos professores (68,3%, n = 214) no Ensino Remoto Emergencial, foi a dificuldade dos alunos para ter acesso as aulas virtuais por falta de recursos. No estudo 4, os dados para análise foram obtidos a partir dos mesmos questionários utilizados no estudo 3. Utilizou-se estatística descritiva e teste qui-quadrado para análise dos dados. Os resultados mostraram que 74,4% dos participantes disseram ter dificuldades para conciliar a rotina doméstica e familiar com o ensino remoto emergencial, enquanto 25,6% disseram que não tiveram problemas quanto a isso. Quando analisados a partir das características sociodemográficas como sexo, estado civil, filhos e tipo de escola, os dados não apresentaram diferença estatisticamente significativa entre os grupos e dificuldade para conciliar a rotina. No estudo 5, os participantes responderam a uma a escala de autoeficácia docente para ensinar no contexto da pandemia da Covid-19, além dos questionários já mencionados nos estudos 3 e 4. A análise de dados foi realizada a partir de estatística descritiva e testes paramétricos e não-paramétricos com auxílio do software JAMOVI. Os resultados mostraram que, na escala geral, 45% dos professores apresentaram baixos níveis de autoeficácia para ensinar remotamente, sentindo-se pouco ou nada capazes. Além disso, apresentaram maior percentual de professores com baixos níveis de autoeficácia para utilização dos recursos/equipamentos para aulas virtuais (51,4%, média = 2,19); para o exercício da docência frente às demandas da família (39,2%, média = 2,10) e para lidar com as demandas emocionais no exercício da docência no contexto da Covid-19 (42,1%, média = 2,08). Professores que receberam formação para ensinar durante a pandemia tiveram níveis maiores de autoeficácia (média = 3,16) quando comparados aos que não receberam nenhum formação (média = 2,96), apresentando uma diferença significativa (p = 0,0064). Por fim, no estudo 6, além dos questionários mencionados nos estudos anteriores, os docentes responderam ao questionário sobre saúde docente no contexto da pandemia da Covid-19. A análise dos dados foi feita a partir de análise descritiva, Teste t de Student, Teste Mann-Whitney, Correlação de Spearman, Análise de regressão linear simples e múltipla. Os resultados mostraram que as médias das crenças de autoeficácia foram estatisticamente menores nos professores com uma autoavaliação negativa da própria saúde em relação aos que se autoavaliaram positivamente. A análise de regressão linear simples apontou a autoavaliação da saúde como uma variável explicativa da autoeficácia (p <0,05). As alterações emocionais, cognitivas, físicas e comportamentais mais frequentes estiveram significativas e negativamente associadas às crenças de autoeficácia dos professores (p <0,05). No modelo de regressão múltipla desenvolvido, apenas a ansiedade explicou de forma significativa a autoeficácia dos professores. Entre outros fatores, programas que visem o fortalecimento da autoeficácia docente podem auxiliar estes profissionais a estarem mais preparados para lidar com situações de crise, minimizando sintomas negativos para sua saúde integral e, consequentemente, seu adoecimento.

Autor(a)

Erika Cristina de Carvalho Silva Pereira

Orientador(a)

Maély Ferreira Holanda Ramos

Curso

Educação

Instituição

UFPA

Ano

2024