Devido ao interesse que historicamente na Amazônia se deu ao interior dessa região, não se construiu uma preocupação com a dinâmica natural da costa e também com as diferentes formas de apropriação do espaço costeiro ao longo do tempo; o interesse por essa temática é recente e está ligado a políticas públicas nacionais – PNGC, GERCO, projetos internacionais como o MADAM e o MEGAM, ou estudos conduzidos por algumas universidades seja em projetos de pesquisa, seja em estudos de caso como monografias, dissertações e teses. Este texto tem por objetivo apresentar a distribuição das unidades de paisagens do município de Salinópolis de acordo com a taxonomia proposta por Bertrand (2004) (na escala dos geossistemas, geofácies e geótopos), precisando a localização em planta das mesmas e dos atuais padrões de ocupação e uso do solo, bem como ainda sugerir formas de gestão ambiental municipal integrada das paisagens costeiras a partir de indicadores de sensibilidade/fragilidade ambiental. As unidades tomadas como exemplo são os geossistemas de tabuleiros costeiros com formações secundárias fortemente antropizadas, geossistemas de formações pioneiras em planícies alagáveis e não alagáveis, geossistemas de cordões arenosos praiais, geofácies de depressões dunares e lagunares e geótopos de canais interdunares de origem antropogênica. As paisagens costeiras por constituírem-se como especiais, tendo sua existência e dinâmica relacionada a processos marinhos e/ou fluviomarinhos específicos, posto que decorrem de variações edáficas e morfológicas do litoral (MUEHE, 1994; TROPPMAIR, 1987), requerem do poder público gestão ambiental diferenciada. Uma ferramenta valiosa para esse fim é a cartografia que ressalte a dinâmica dos fatores geológicos, geomorfológico, fitogeográfico, topográfico e de apropriação das paisagens a um só tempo. A metodologia que conduziu esta pesquisa consistiu em revisão bibliográfica e documental, na interpretação de carta planialtimétrica da DSG na escala de 1:100.000, na análise dos relatórios e das folhas SA 23 do Projeto RADAMBRASIL, em sensoriamento remoto como o uso de ortofotos na escala de 1:2000, imagens de radar, e de satélites e emprego de GPS, além de trabalhos de campo nos loci para definir os padrões de diferenciação paisagística com base na topografia/geomorfologia, cobertura vegetal e uso da terra, a partir do emprego de planilha de descrição da paisagem costeira e aplicação de questionários. Os resultados demonstraram a falta de planejamento e gestão ambiental pautados em zoneamentos da paisagem que, por sua vez, conduzem ao comprometimento do potencial paisagístico do município.
Apropriação da Natureza e Sensibilidade de Paisagens Costeiras: Proposições para a Gestão Ambiental da Área Urbana de Salinópolis (PA)
Paulo Alves de Melo
Orientador(a)
Carmena Ferreira de França
Curso
Geografia
Instituição
UFPA
Ano
2007


