O rio Araguari, na Amazônia amapaense, é o maior sistema hídrico em extensão, em largura e em volume de água, do Estado, com aproximadamente 43.560km2. Partindo do pressuposto de que o estado de degradação ambiental, diante das intervenções humanas, altera os diferentes componentes da natureza e ocasiona uma ruptura em seu estado de equilíbrio dinâmico, esta pesquisa tenciona realizar uma análise geoambiental e caracterizar a dinâmica e o estado de degradação/conservação, a partir da Fragilidade Potencial e Emergente dos Sistemas Ambientais da Bacia Hidrográfica do Rio Araguari, Amapá, subsidiando, ao final, um plano de gestão ambiental da unidade de estudo. O percurso metodológico que ampara esta Tese pautou- se em uma abordagem analítica e sistêmica, baseada na Teoria Geral dos Sistemas, adaptada para uma análise geossistêmica e integrativa da paisagem, a contar dos principais autores e das referências teórico-metodológicas. Para o tratamento da informação espacial, foram organizados e compilados dados vetoriais e matriciais de fontes primárias e secundárias, as quais foram, posteriormente, corrigidas topologicamente, padronizadas com Sistema de Coordenadas Projetadas em WGS 84 Zona 22 Norte no software ArcGIS 10.5. Para levantamento do uso e da cobertura da terra, entre 1995 e 2017, foi utilizado o algoritmo de classificação orientada a objeto do software eCognition 9.0, com base em imagens obtidas pelos sensores Landsat TM5 e SENTINEL 2B, sendo que a coleta de pontos de controle em campo foi essencial para a validação do produto, compondo um índice de 85,6% de exatidão global e de 0,74 de índice Kappa. A fragilidade ambiental foi alicerçada no somatório de variáveis reclassificadas, a partir de suas notas e pesos, com a ferramenta Weighted Overlay Table do ArcGIS 10.5. Como consequência dos produtos de Sensoriamento Remoto, foram elaboradas modelagens dinâmicas espaciais, baseadas em autômatos celulares e, posteriormente, foram gerados mapas simulados e cenários futuros da paisagem. Os resultados permitiram concluir que as Unidades de Conservação e as Terras Indígenas são as principais responsáveis por manter uma estabilidade ecodinâmica da bacia, garantindo o equilíbrio dinâmico de seus processos erosivos e a proteção dos topos e das encostas florestados, onde se localizam as principais nascentes. Por outro lado, o médio e baixo Araguari se encontram em fragilidades médias e altas, justamente por contemplar a presença de mineradoras, de hidrelétricas, de agroindústrias e da pecuária extensiva de rebanho bovino e bubalino. Ao mesmo tempo, os indicadores sociais dos municípios que compõem a BHRA também não são favoráveis, mantendo um Índice de Desenvolvimento Humano médio de 0,6, resultado que justifica a necessidade de um planejamento efetivo da bacia hidrográfica do rio Araguari, que assegure melhores formas de crescimento e de utilização dos recursos naturais, juntamente com a preservação e o desenvolvimento humano.
Análise Integrada da Bacia Hidrográfica do Rio Araguari – AP: Subsídios ao Planejamento Ambiental
Alan Nunes Araújo
Orientadores(as)
Maria Lúcia Brito Cruz
Christian Nunes da Silva
Curso
Geografia
Instituição
UFPA
Ano
2019


