O presente trabalho analisou as unidades de paisagem da Microbacia Hidrográfica do Igarapé Moura no Município de Castanhal-PA, considerando a estrutura e a dinâmica face à capacidade de suporte às ações antrópicas, com o intuito de dar subsídios ao planejamento/ordenamento territorial da Microbacia. Para a realização de tal análise, optou-se pelo método de interpretação sistêmico, baseado na Teoria Geral dos Sistemas e na Teoria dos Sistemas Complexos/Dinâmicos. O roteiro de interpretação se deu a partir dos seguintes procedimentos operacionais: análise integrada dos aspectos fisiográficos da microbacia (geologia, unidades de relevo, hipsometria, declividade, pedologia e cobertura e uso solo); elaboração da cartografia de estrutura da paisagem (unidades de paisagem); análise da dinâmica das unidades de paisagens (cartografia multitemporal da cobertura vegetal e uso do solo a partir das imagens de satélite dos anos 1984, 1994 e 2010); delimitação das áreas de estabilidade/instabilidade do meio físico; identificação das áreas de aptidão agrícola para lavoura, pastagem e silvicultura, bem como as áreas inaptas ao uso agrícola; delimitação das áreas de incompatibilidade legal; e por fim elaboração da cartografia de uso indicado à capacidade de suporte. A partir da análise dos aspectos fisiográficos da microbacia foi possível delimitar seis unidades de paisagem: Geossistema dos Tabuleiros e Colinas com Atividades Produtivas, Geossistemas dos Tabuleiros e Colinas com Áreas Urbanizadas, Geossistemas dos Baixos Platôs com Atividades Produtivas, Geossistemas dos Baixos Platôs com Áreas Urbanizadas, Geossistema das Capoeiras sobre Colinas, Baixos Platôs e Tabuleiros e Geossistema das Florestas Ombrófilas Inundáveis em Planícies Aluviais. Do ponto de vista da instabilidade a Bacia apresenta, predominantemente, áreas com significativos índices de instabilidade, destacando os geossistemas que são caracterizados pela ação antrópica. Em contrapartida, as áreas que apresentam condições mais estáveis são caraterizadas pelas áreas onde é possível verificar um substrato vegetativo mais denso, localizadas no Geossistema das Capoeiras sobre Colinas, Tabuleiros e Baixos Platôs e no Geossistema das Florestas Ombrófilas Inundáveis em Planícies Aluviais. Na análise da aptidão agrícola das paisagens da Bacia Hidrográfica, constatou-se que sua maior porção possibilita a utilização de desenvolvimento tecnológico para fins de lavoura, pastagem plantada e silvicultura. Além dessas, verificou-se também áreas inaptas para o desenvolvimento de atividades agrícolas. Por fim, estabeleceu-se sete áreas de uso indicado de acordo com a capacidade de suporte das unidades paisagísticas da Bacia do Igarapé Moura: agropecuária com tecnologia, agropecuária mecanizada, área urbana, preservação, preservação prioritária, conservação/uso sustentável e recuperação prioritária. Portanto, a partir de tais análises constatou-se, uma necessidade de utilização de níveis técnico-científicos na produção agropecuária da Bacia, visando o melhoramento das formas de manejo das diferentes unidades de paisagem. Além disso, a necessidade de conservação da cobertura vegetal secundária a partir de técnicas que visem o desenvolvimento sustentável atrelado a manutenção da floresta, indispensável para o planejamento/ordenamento territorial dessa área.
Análise das Unidades de Paisagem da Microbacia do Igarapé Moura, Município de Castanhal (PA): Subsídios para o Planejamento/Ordenamento Territorial
Leonardo Pinheiro Alves
Orientador(a)
Carmena Ferreira de França
Curso
Geografia
Instituição
UFPA
Ano
2011


