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“Eu Tenho Medo É Dos Vivos”: Análise Psicodinâmica do Trabalho entre Profissionais da Medicina Legal

Esta dissertação teve como objetivo analisar as vivências de prazer e sofrimento presentes nas relações de trabalho dos servidores do quadro de um Instituto Médico Legal da Amazônia de uma cidade da região norte do Brasil e suas possíveis repercussões para a saúde mental deste trabalhador. Na busca por uma melhor compreensão do tema, este estudo procurou pautar sua fundamentação teórica na Psicodinâmica do Trabalho. O caminho metodológico está inserido na pesquisa qualitativa, com a utilização de entrevistas individuais, semi-estruturadas. Participaram desta pesquisa sete servidores públicos da referida instituição com o recorte específico de delimitar aqueles que realizam suas atividades, direta ou indiretamente, relacionadas à necropsia. Na coleta de dados, ocorrida no próprio IML, foram utilizados os seguintes instrumentos: observação da atividade, levantamento bibliográfico e documental de material especializado sobre o assunto, uma vez que ainda há pouca literatura sobre o tema estudado, e entrevistas, as quais foram gravadas e posteriormente transcritas. Além destas, também foram incluídas na dissertação trechos de conversas informais obtidas com alguns trabalhadores durante a entrada no campo de pesquisa. A análise do material obtido foi consubstanciada a partir da escuta e interpretação da fala dos trabalhadores. O resultado da discussão foi dividido em dois eixos: O primeiro aborda a questão da organização e das condições de trabalho e o segundo diz respeito ao sofrimento, mecanismos de defesa e prazer. Através dos relatos, foi possível observar a percepção dos profissionais em relação a questões que trazem sofrimento como: a precariedade das instalações, o lidar cotidianamente com a violência, os riscos de contaminação, os danos físicos e psicológicos para quem se expõe a essa rotina de trabalho e as relações hierárquicas, marcadas por conflitos entre as categorias funcionais. Esta dinâmica é reiterada pela divisão do trabalho, caracterizada de maneira a dividir e isolar, o que dificulta a formação de coletivos e enfraquece uma possível luta dos trabalhadores por melhorias. Nesse contexto, o reconhecimento e o prazer no trabalho surgem na forma da gratidão dos usuários e na percepção da atividade enquanto ―missão‖, a qual traria, no seu bojo, a compensação de contribuir para a realização da justiça dentro da sociedade.

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Autor(a)

Renata Sabrina Maciel Lobato Louzada

Orientadores(as)

Paulo de Tarso de Oliveira

Laura Soares Martins Nogueira

Curso

Psicologia

Instituição

UFPA

Ano

2014