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Educar a Infância? Problematizando Práticas de Educação Infantil em Relatórios do UNICEF, de 1990 a 2014

O cenário dos últimos 25 anos é marcado pela proeminência da discussão sobre educação infantil, perceptível pelo aumento da quantidade de publicações sobre o tema e discussão de políticas educacionais para a chamada primeira infância (0 a 6 anos). Seus atravessamentos marcados pela economia neoliberal, organismos internacionais e movimentos de luta pelo direito à educação também tornam-se notórios. Esta pesquisa interrogou práticas de educação infantil presentes em oito relatórios do UNICEF, de 1990 a 2014, questionando condições possíveis de sua emergência e problematizando a categoria infância e sua escolarização. Foi realizado um percurso sobre a invenção da infância e seu encontro com a educação, especialmente com a escolarizada, e quais efeitos derivam deste encontro com organizações multilaterais. O que se entende por educação da infância? A escola tornou-se um dos equipamentos centrais no governo da infância, apoiada em saberes que colocam-na junto com a família, como proprietárias destas crianças, sob os moldes das arregimentações governamentais do Estado neoliberal hoje. Os oito relatórios desta agência sobre a infância brasileira foram analisados em consonância às teorias e ferramentas metodológicas demarcadas por Michel Foucault. Foi analisado como atuam relações de saber-poder nestes relatórios e recortadas séries das unidades discursivas presentes nos documentos. As políticas educacionais atuam de acordo com o que as estatísticas nos contam, para diminuir as chances da criança tornar-se “criminosa” e sair da pobreza; aumentar o consumo e produtividade da criança quando adulto; possibilitar um “bom começo de vida”, ancorada em saberes de substrato biologizante do desenvolvimento. Estas regularidades encontradas nos relatórios são tensionadas em mecanismos reguladores do biopoder, que utilizam-nas para governar por meio de indicadores estatísticos. Ao interrogar estas práticas, outros questionamentos são possibilitados, sempre tensionando o campo de regimes de verdades nos quais estamos imersos.

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Autor(a)

Nathália Dourado Frazão Costa

Orientador(a)

Flávia Cristina Silveira Lemos

Curso

Psicologia

Instituição

UFPA

Ano

2015