Esta dissertação contempla pesquisa qualitativa realizada com adolescentes do gênero masculino em cumprimento de Liberdade Assistida (LA), na cidade de Barcarena-PA, buscando desvelar alguns elementos que integram os processos de subjetivação dos informantes, identificados em seus discursos. Além disso, objetivou analisar as referências familiares que oportunizam configuração de suportes emocionais e verificar os significados subjetivos do cumprimento da medida socioeducativa. As referências teóricas examinadas foram textos científicos produzidos pela Psicologia sobre o signo “adolescência”, nas perspectivas gestáltica e histórico-crítica, atentando, igualmente, para os estudos de gênero masculino e das políticas sociais brasileiras sobre a medida de LA. A coleta de dados ocorreu em um Centro de Referência Especializado da Assistência Social (CREAS), utilizando como procedimentos teórico-metodológicos a análise hermenêutica fenomenológica do discurso, conforme o ponto de vista de Paul Ricoeur (1988), a partir da transcrição de entrevistas individuais com 03 (três) adolescentes. Os resultados do estudo conferem compreensões gestálticas da linguagem e dos discursos dos informantes, apresentados através de fluxos da compreensão, segundo o modelo de Pimentel (2011b). A perspectiva gestáltica pressupõe o entendimento do campo onde foi produzido o discurso e a significação, conferindo temporalidade e embasamento relacional, que orientou as interpretações e análises, sobretudo a caracterização plural das adolescências. Algumas das principais conclusões ventilam: a necessidade de fortalecimento da rede de atendimento destinada à atenção em saúde, especificamente sobre o consumo de álcool e outras drogas, como forma de prevenir violações de direitos; ampliação e articulação das políticas públicas de qualificação profissional de adolescentes, lazer e cultura, como possível contribuição para redução dos atos infracionais e fundamentais ao sucesso e eficácia do acompanhamento das medidas socioeducativas em meio aberto; e a percepção da “impunidade” na relação com policiais, como principal motivo apontado para reiteração em condutas ilegais.

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