Qando Cangaço Novo estreou em 2023, a sensação que tive era de que finalmente alguém fizera uma série brasileira de ação que entendia a nossa cultura sem tentar parecer uma cópia de produções norte-americanas. E essa foi uma agradável surpresa em meio ao bolo de produções que maquiavam – ou romantizavam – as mazelas nacionais.
A primeira temporada funcionou para nós quase como uma história de origem: acompanhamos Ubaldo (Allan Souza Lima) chegando na cidade fictícia de Cratará e descobrindo o passado da família. Paralelamente, Ubaldo era lentamente absorvido pela lógica brutal daquele sertão dominado por bancos, milícias, sede (de poder) e violência. A temporada nos dava uma sensação constante de descoberta enquanto o universo dos personagens nos era apresentado. Fatalmente, mergulhamos de cabeça com eles.
Já nessa segunda temporada percebemos que muda bastante essa dinâmica. Aqui já não existe mais espaço para apresentação de personagens. O mundo da série já está estabelecido, os atores entendem as próprias regras e a narrativa parece muito mais interessada nas consequências da violência brutal do que na ascensão (e queda) dos personagens dentro dela. Se a primeira temporada tinha um clima de western, ou mais precisamente um “Nordestern” moderno misturado com filme de assalto, a segunda se aproxima muito mais de uma tragédia política e familiar. Vemos praticamente uma luta armada por território, uma guerra quase civil.


