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Representações Sociais e Inclusão Escolar: Jovens com Cegueira Tateando o Futuro

20 de Maio, 2025 . Teses Lourival Ferreira do Nascimento

Esta tese é o resultado dos estudos realizados sobre a representação social da inclusão escolar por jovens com cegueira. O seu objetivo foi analisar as Representações Sociais de jovens com cegueira sobre a inclusão escolar e as implicações para o seu projeto de vida. O referencial teórico-metodológico fundamentou-se na Teoria das Representações Sociais (TRS), desenvolvida por Serge Moscovici (1978; 2007) e consolidada nos estudos de Denise Jodelet (2001; 2009), Mazzotti (1994; 2000), Nascimento (2002; 2014) entre outros. A discussão sobre inclusão escolar fundamentou-se em Bruno e Mota (2001), Mendes (2002), Mantoan (2006), D’Amaral (2008), Sawaia (2008), Septimio (2014). A discussão sobre Juventude e Projeto de Vida fundamentou-se em Catão (2001), Raitz e Petters (2008), Dayrell (2016), Nascimento (2018). Baseado na abordagem processual da TRS, desenvolveu-se a lógica das dimensões que constitui a rede temática deste estudo, sintetizado nos questionamentos: quem diz e de onde diz? O que dizem e como dizem?. A partir das imagens e sentidos emergentes dos discursos dos jovens entrevistados foram construídas seis temáticas de análises que agrupam as imagens e sentidos consensuais destes jovens: 1. percepção de inclusão; 2. percepção de exclusão; 3. protagonismo do jovem cego; 4. aspectos pedagógicos da inclusão escolar; 5. aspectos estruturais da inclusão escolar; e 6. pensando o futuro. O estudo se caracteriza por uma pesquisa de abordagem qualitativa, descritiva e interpretativa, e a análise das informações foi referenciada nos estudos desenvolvidos por Braun e Clarke, (2006). As informações foram coletadas por meio da entrevista semiestruturada com a utilização de um roteiro. Os sujeitos da pesquisa foram 10 jovens cegos matriculados na Unidade Técnica Educacional Especializada José Álvares de Azevedo (UTES JAA) no ano de 2017. Os resultados mostram que: a) as representações sociais da inclusão escolar de jovens com cegueira são construídas a partir das interações que este jovem estabelece com seus grupos de pertença; b) o protagonismo e a autonomia pessoal e funcional são imprescindíveis na inclusão escolar dos jovens cegos; c) a formação inicial e continuada do professor, a prática pedagógica coerente com a necessidade do educando cego e o trabalho do professor da educação especial se constituem em aspectos pedagógicos que possibilitam a inclusão escolar; d) os aspectos estruturais da inclusão implicam a compreensão da relação do sujeito com o ambiente físico e social, a influência desta relação no desenvolvimento sociocognitivo dos jovens cegos, a relevância do sistema Braille para a formação cultural e escolar do educando cego; e) os projetos de vida dos jovens cegos entrevistados são elaborados a partir do desejo de ingressar no ensino superior, desenvolver uma profissão que os habilitem a ajudar aqueles que precisam, em ser bem sucedidos nas atividades ocupacionais; e f) a Teoria das Representações Sociais se constitui em um suporte relevante na compreensão e interpretação da inclusão escolar dos jovens cegos e na identificação dos aspectos sociais, relacionais, educacionais, cognitivos, emocionais e afetivos que compõem a sua construção. Sendo assim, a nossa tese é que a representação social sobre a inclusão escolar de jovens com cegueira é constituída a partir da necessidade destes jovens de pertencimento à sociedade, na construção da identidade individual e coletiva, ao respeito às suas necessidades específicas, em viver experiências de aperfeiçoamento humano e profissional, além de realizar seu projeto de vida.

Autor(a)

Lourival Ferreira do Nascimento

Orientador(a)

Ivany Pinto Nascimento

Curso

Educação

Instituição

UFPA

Ano

2020