Esta tese objetiva compreender os anos finais do ensino fundamental a partir da organização de ensino e das práticas curriculares desenvolvidas no contexto sócio-histórico-culturaleconômico e educacional dos territórios rurais da Amazônia paraense, averiguando as relações com os referenciais da educação do campo. O estudo se realizou em três escolas de municípios paraenses, tendo como participantes: educadores, educandos, pais, lideranças de movimentos sociais do campo e coordenadores das secretarias municipais de Educação. Os aportes de fundamentação do estudo foram organizados conforme as categorizações teóricas, assim classificadas: Anos finais do ensino fundamental; Território; Educação do campo; Organização do ensino e as Práticas curriculares. Trata-se de uma abordagem qualitativa, que se materializou a partir do método ver, julgar e agir. Nesse processo, o ver se apresenta por meio das respostas dadas à problematização, que, ao utilizar-se de tais informações para interpretação, análise e reflexão dos dados, com base na literatura, traça-se o julgar e, independentemente da situação, geram os resultados para um dado fenômeno, lugar pelo qual se transita a ideia provável de ação ou do agir. Realizou-se a pesquisa exploratória, com o estado do conhecimento em artigos e teses de doutorado, fez-se a pesquisa documental nas escolas, em acervos bibliográficos e nas secretarias municipais de Educação, e se efetivou a observação participante. Utilizaram-se como procedimentos metodológicos: entrevistas semiestruturadas e análise documental. Como resultados, o estudo apresenta a organização do ensino de nove anos, em que os anos finais se concretizam através do Sistema de Organização Modular de Ensino (SOME), dos multianos ou da multisseriação; e as práticas curriculares que orientam a escola dos territórios rurais da Amazônia paraense encontram-se com uma educação que se fundamenta na perspectiva de educação rural e urbanocêntrica, com raras relações com o contexto social em que se inserem os sujeitos camponeses. Tais fatores ocorrem em oposição ao que se encontra referenciado nos marcos legais da educação do campo, bem como em seus movimentos de luta por essa política pública. Contudo, percebe-se que a educação escolar é de suma relevância para os camponeses e seus territórios, por isso, a escola precisa voltar-se para a cultura do campo, em consideração aos sujeitos e às demandas de seus territórios. Nesse sentido, ela deve atentar-se para as exigências da legislação em vigor e aos interesses que vêm sendo defendidos sobre a educação pelos que participam dos movimentos sociais e populares do campo, que se integram a outros coletivos representados pelo Fórum Nacional de Educação do Campo (FONEC) e pelos demais fóruns estaduais e municipais que abrangem os camponeses de territórios paraenses, brasileiros.
Anos Finais do Ensino Fundamental em Territórios Rurais da Amazônia Paraense, um Estudo sobre a Organização do Ensino e as Práticas Curriculares em Movimento, OS
Maria do Socorro Dias Pinheiro
Orientador(a)
Carlos Nazareno Ferreira Borges
Curso
Educação
Instituição
UFPA
Ano
2021


