Skip to main content

Corpo-Rede-Entidade em Terreiros de Axé na Amazônia: Cartografia de Aprendizagens no Ilê Ìyá Omi Àsé Òfá Kare, O

Este estudo consiste em uma abordagem em educação através dos processos de ensino e aprendizagem com o corpo em territórios sagrados de matriz africana na Amazônia, os processos criados pelo candomblé Ketu, em especial os que envolvem o Ilê ìyá Omi asé Òfá kare que cria um corpo-rede-entidade de terreiros nos anos de 2018 a 2021 pelo babalorixá da casa, Edson Catendê. Trata-se de uma pesquisa em território não-escolar, antropológica, cartográfica, autoetnobiográfica, através da linguagem do corpo que reverbera as associações de corposaprendentes do axé na área metropolitana de Belém e na multiplicidade de actantes do Ilê ìyá Omi àsé Òfá kare durante a criação de novos territórios de candomblé nas cidades de Castanhal, Santarém, Ananindeua e Ilha de Cotijuba. A cartografia corpórea do axé como corpo-rede se apresenta como possibilidade ontológica e educativa para o bem viver. Nesse sentido, as teias do corpo no axé produzem conhecimento, uma tapeçaria pedagógica em devir de um modo de vida que envolve a criação de territórios sagrados, acompanhado da arte, do ritual, da hierarquia, da multiplicidade, de associações de corpos conectados a um interjogo de experiências e estratégias de existir em circulação e movimento nas cidades amazônicas. Se conecta às escrituras da linguagem corporal para acompanhar processos inventivos, onde através das experimentações e das vinculações existentes entre África e Brasil no território amazônico criam-se corposterritórios e corpos-potência do candomblé Ketu. Uma pesquisa de cunho qualitativa, ancorada no pensamento enterreirado (Flor do Nascimento, 2021), de uma educação de terreiro afrocentrada em combinação com a teoria da TAR -teoria ator-rede- (Latour, 2012). O onã (caminho) da pesquisa flui entre a etnometodologia percorrendo trilhas da autoetnobiografia, da cartografia, em análise das conversas entre os encontros consagrados nos ritos de obrigações aos orixás, reuniões políticas e culturais da AFAIA, conversas e aproximações com membros pertencente desta comunidade, observação participante na formação de territórios sagrados em conexão com Salvador-Belém. Levamos em consideração as afetabilidades da energia vital do axé em seus dizeres, movimentos corporais dentro e fora do terreiro, uma epistemologia política do corpo. Como recurso a composição da escrita, dispomos de registros visuais fotográficos, as trocas contidas na permanente convivência educativa do meu corpo-pesquisador-vivente, regido pela subjetividade da energia dos orixás, com a dinâmica organizativa destes territórios e os intrincados processos de ensinar e aprender que estão presentes no cotidiano. Este estudo em educação e cultura traz o corpo dialogando com a antropologia do corpo (Le Breton, 2013), filosofia dos atabaques (Sodré, 2020), pedagogia das encruzilhadas (Rufino, 2019) e a educação para viver em plenitude (Fleuri, 2023). A pesquisa realiza um “ebó epistemológico” lançado pelas mãos dos povos de terreiro em sua multiplicidade, consagrando a escrita cartográfica do corpo e as associações políticas presentes numa educação entre afros religiosos do candomblé Ketu na Amazônia.

19 Visitas totales
17 Visitantes únicos
Autor(a)

Ilka Joseane Pinheiro Oliveira

Orientador(a)

Carlos Jorge Paixão

Curso

Educação

Instituição

UFPA

Ano

2024