A presente pesquisa teve como objetivo geral compreender a relação entre os níveis de autoeficácia docente e a autoavaliação de saúde, aspectos cognitivos, emocionais e comportamentais dos professores no contexto da pandemia da Covid-19. Para alcançar o objetivo proposto a tese foi subdividida em seis objetivos específicos, que compreendem a seis estudos, sendo dois de cunho bibliográfico (artigos 1 e 2) e quatro estudos empíricos (artigos 3, 4 5 e 6), a saber: i) caracterizar as pesquisas sobre saúde docente no contexto da pandemia (Artigo 1); ii) caracterizar os estudos sobre a autoeficácia docente no contexto da pandemia da Covid-19, publicados no período de 2020 a 2023 (Artigo 2); iii) caracterizar o trabalho dos docentes no contexto da pandemia da Covid-19 (Artigo 3); iv) identificar as dificuldades vivenciadas pelos professores relacionadas às demandas pessoais e familiares e características sociodemográficas no contexto da pandemia da Covid-19 (artigo 4); v) identificar os níveis de autoeficácia de professores brasileiros para ensinar no contexto do ensino remoto emergencial durante a pandemia da Covid-19 (Artigo 5); vi) analisar a relação entre a autoavaliação da saúde e da prevalência dos sintomas físicos, cognitivos/ emocionais e comportamentais com os níveis de autoeficácia em professor brasileiros durante a pandemia da Covid-19 (Artigo 6). No estudo 1, a partir de uma revisão integrativa da literatura, no Portal da Capes, SciELO e LILACS, foram levantados artigos científicos sobre o tema publicados no ano de 2020 e 2021. As buscas resultaram em 10 artigos para análise. Os resultados mostraram que o tema da saúde docente no contexto da pandemia é de interesse global uma vez que já existem publicações desenvolvidas em maior parte dos continentes. A análise de conteúdo denotou a presença de seis categorias mais investigadas nos artigos: Problemas de saúde mental (f = 22), Condições de trabalho (f = 14), Problemas físicos de saúde (f = 8), Prevenção e intervenção para saúde docente (f = 7), Relações sociais alteradas (f = 6) e Aspectos cognitivos (f = 5). No estudo 2, realizou-se um levantamento no Portal de periódicos da Capes, SciELO e Biblioteca Virtual em Saúde (BVS). As buscas resultaram em 35 artigos para análise. Os resultados mostraram que a maioria dos estudos foi publicada no ano de 2021 (n = 15), é de abordagem quantitativa (n = 27), do tipo transversal e cuja coleta de dados foi online (n = 32). A técnica de pesquisa mais utilizada foi o levantamento de campo (n = 33) e os participantes foram predominantemente professores da educação básica (n = 27). Entre os domínios mais investigados pelas escalas estão a Autoeficácia docente (f = 18) e Autoeficácia para lidar com o ensino remoto (f = 10). A análise das palavras-chave seu destaque aos termos educação à distância, ensino online, esgotamento e autoestima. Os estudos empíricos (3, 4, 5 e 6) foram do tipo levantamento, de abordagem quantitativa. No estudo 3, os professores responderam ao questionário sociodemográfico e de trabalho e o questionário sobre caracterização do trabalho docente durante a pandemia da Covid-19. A amostra inicial foi constituída por 450 docentes de 23 estados, dos quais 313 (69,5%) estavam lecionando remotamente. Estre estes, os resultados mostraram que a maioria dos docentes (61,7%) fez uso de aplicativos de reunião para realização das aulas. Mais de 55% não tiveram formação para ensinar no modelo online e 88,4% não receberam qualquer tipo de suporte estrutural, ficando a encargo do docente, na maioria das vezes, a aquisição dos equipamentos necessários. O principal problema relatado pelos professores (68,3%, n = 214) no Ensino Remoto Emergencial, foi a dificuldade dos alunos para ter acesso as aulas virtuais por falta de recursos. No estudo 4, os dados para análise foram obtidos a partir dos mesmos questionários utilizados no estudo 3. Utilizou-se estatística descritiva e teste qui-quadrado para análise dos dados. Os resultados mostraram que 74,4% dos participantes disseram ter dificuldades para conciliar a rotina doméstica e familiar com o ensino remoto emergencial, enquanto 25,6% disseram que não tiveram problemas quanto a isso. Quando analisados a partir das características sociodemográficas como sexo, estado civil, filhos e tipo de escola, os dados não apresentaram diferença estatisticamente significativa entre os grupos e dificuldade para conciliar a rotina. No estudo 5, os participantes responderam a uma a escala de autoeficácia docente para ensinar no contexto da pandemia da Covid-19, além dos questionários já mencionados nos estudos 3 e 4. A análise de dados foi realizada a partir de estatística descritiva e testes paramétricos e não-paramétricos com auxílio do software JAMOVI. Os resultados mostraram que, na escala geral, 45% dos professores apresentaram baixos níveis de autoeficácia para ensinar remotamente, sentindo-se pouco ou nada capazes. Além disso, apresentaram maior percentual de professores com baixos níveis de autoeficácia para utilização dos recursos/equipamentos para aulas virtuais (51,4%, média = 2,19); para o exercício da docência frente às demandas da família (39,2%, média = 2,10) e para lidar com as demandas emocionais no exercício da docência no contexto da Covid-19 (42,1%, média = 2,08). Professores que receberam formação para ensinar durante a pandemia tiveram níveis maiores de autoeficácia (média = 3,16) quando comparados aos que não receberam nenhum formação (média = 2,96), apresentando uma diferença significativa (p = 0,0064). Por fim, no estudo 6, além dos questionários mencionados nos estudos anteriores, os docentes responderam ao questionário sobre saúde docente no contexto da pandemia da Covid-19. A análise dos dados foi feita a partir de análise descritiva, Teste t de Student, Teste Mann-Whitney, Correlação de Spearman, Análise de regressão linear simples e múltipla. Os resultados mostraram que as médias das crenças de autoeficácia foram estatisticamente menores nos professores com uma autoavaliação negativa da própria saúde em relação aos que se autoavaliaram positivamente. A análise de regressão linear simples apontou a autoavaliação da saúde como uma variável explicativa da autoeficácia (p <0,05). As alterações emocionais, cognitivas, físicas e comportamentais mais frequentes estiveram significativas e negativamente associadas às crenças de autoeficácia dos professores (p <0,05). No modelo de regressão múltipla desenvolvido, apenas a ansiedade explicou de forma significativa a autoeficácia dos professores. Entre outros fatores, programas que visem o fortalecimento da autoeficácia docente podem auxiliar estes profissionais a estarem mais preparados para lidar com situações de crise, minimizando sintomas negativos para sua saúde integral e, consequentemente, seu adoecimento.
Autoeficácia Docente e Saúde dos Professores no Contexto da Pandemia da Covid-19
Erika Cristina de Carvalho Silva Pereira
Orientador(a)
Maély Ferreira Holanda Ramos
Curso
Educação
Instituição
UFPA
Ano
2024


