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Tempo Livre e a Produção da Existência da Juventude do Campo: Um Estudo com Jovens Estudantes do Assentamento João Batista II – PA, O

5 de Maio, 2025 . Dissertações Tábita Cristina Modesto Nascimento

O Tempo é uma construção histórica, ou seja, é uma construção fruto da modernização da sociedade, que foi sendo moldado ao longo do desenvolvimento dos modos de produção e incorporando elementos destes em sua definição. As noções do tempo variam cultural e historicamente e por questões de classe. Na sociedade do capital, para a classe burguesa, o tempo assume proporções ligadas ao produtivismo e a obtenção de lucros. Para a classe trabalhadora, o tempo está intimamente relacionado ao pressuposto de toda a existência humana, seu primeiro ato histórico, a produção de meios para a satisfação das necessidades próprias da sua vida material. Nesta mesma sociedade, o Tempo considerado Livre, como vem sendo caracterizado hoje, também está intimamente ligado ao processo de constituição do sistema capitalista, desta forma, assume a premissa de ser aquele tempo que sobra após o cumprimento da jornada de trabalho. Esta pesquisa tem por objetivo analisar o uso do Tempo Livre de jovens estudantes da Escola do Campo, partindo da identificação e categorização das atividades desenvolvidas pelos jovens em sua cotidianidade. Foi realizada uma pesquisa de campo com 27 jovens, sendo 16 do sexo masculino e 11 do sexo feminino. Como instrumento de coleta de dados foi utilizado um questionário e entrevistas com lideranças da comunidade. Como metodologia de análise utilizou-se a Análise de Conteúdo. Os primeiros resultados a que chegamos, mostram a necessidade de mais pesquisas científicas, principalmente nacionais, sobre o Tempo Livre e a Juventude, à medida que o Tempo Livre é tratado na maioria dos estudos levantados, de forma secundarizada, ou seja, apenas como um espaço para se pensar as práticas de atividades físicas, sem um olhar da totalidade dos fatos e da compreensão histórica do Tempo. Outros resultados que obtivemos por meio da pesquisa de campo, ressaltam diferenças por gênero na ocupação do tempo residual, ou seja, as jovens ocupam seu tempo com atividades domésticas e os jovens acabam por desempenhar outras atividades ditas de lazer com mais frequência. Percebemos ainda que, os jovens estão em sua maioria desenvolvendo atividades de lazer-descanso, como “assistir televisão”, “acessar a internet”, “usar o celular”, influenciados também pelos avanços tecnológicos, quanto pela ausência de espaços e oportunidades na comunidade. Concluímos ainda que os jovens no Assentamento João Batista II, ainda não superaram no seu Tempo Livre a mera reprodução de atividades veiculadas pelos meios de comunicação (como jogar futebol e usar as redes sociais), tanto pelo falta de opção (já que o poder público municipal pouco efetiva políticas sociais de esporte e lazer), quanto pela não compreensão das possibilidades de emancipação oriundas do Tempo residual.

Autor(a)

Tábita Cristina Modesto Nascimento

Orientador(a)

Lúcia Isabel da Conceição Silva

Curso

Educação

Instituição

UFPA

Ano

2017