Skip to main content

Políticas de Formação Continuada: O que Pensam os Formadores do Centro de Formação de Educadores Paulo Freire?

Esta dissertação objetiva dialogar sobre a perspectiva dos formadores a respeito das políticas educacionais de formação continuada da RME de Belém. Elegemos, como referencial teórico, as contribuições de Freire (1996), Gatti (2008), Curado Silva (2017) e Shiroma (2018), que contribuíram para a análise sobre as concepções de formação continuada de professores e nortearam o debate acerca dos desafios e das perspectivas atuais do trabalho docente. A abordagem metodológica é de natureza qualitativa. Para coleta de dados, fizemos, inicialmente, uma revisão da literatura do tipo Estado do Conhecimento e a análise documental. Também realizamos uma pesquisa de campo, na qual foi aplicado um questionário aos sujeitos da pesquisa e uma entrevista semiestruturada com parte dos envolvidos, além do acompanhamento e da observação das atividades dos formadores. Os resultados indicaram que, apesar de os estudos sobre a formação continuada de professores estarem em destaque no Brasil desde 1970, ainda há muito o que explorar sobre suas concepções e terminologias. Existem muitos programas sendo oferecidos por todo país, em que o professor, a escola ou o “mercado educacional” têm sido o centro dessas formações. De um lado, há formações veementemente influenciadas pelos Organismos Internacionais, conduzidas pelo gerencialismo e pelos interesses empresariais neoliberais, em que não há uma participação efetiva dos professores nas escolhas dos conteúdos, tampouco preocupação com relação às reais necessidades dos alunos, visto que o centro do processo são as avaliações em larga escala. De outro, existem e resistem programas de formação continuada que se opõem à lógica privada de aligeiramento das formações, em que os programas são pensados a partir de uma perspectiva de formação permanente, voltada para uma práxis educativa crítica e emancipadora, centrada na escola como lócus de formação humana, e não como forma de barateamento da formação, pois é necessário partir da escola, porém, é preciso ir além dela. Entre as principais percepções dos formadores da RME sobre a formação continuada, destacou-se a autonomia conquistada na atual gestão, em que a formação dos professores pode ser pensada a partir da realidade local, oportunizando o trabalho com o tema gerador. Os formadores entendem que está sendo construído um “novo” Centro de Formação, com todos os educadores que participam da escola, e percebem que é um momento de desconstrução de algumas práticas e de reconstrução de concepções. Também relatam que gostariam de estar mais próximos das escolas, dos professores e alunos, no entanto, a crescente demanda de trabalho tem dificultado essa aproximação. Entretanto, os formadores sentem que estão no “caminho certo”, mas ainda há muito a ser feito e um longo processo pela frente. Concluímos ainda que pouco tem se pesquisado sobre os professores formadores que atuam nos programas ofertados por secretarias municipais e estaduais de educação, o perfil desses formadores, sua formação (inicial e continuada), a autonomia desses profissionais diante das políticas nacionais de formação e avaliação, as condições de trabalho perante um contexto de precarização e intensificação do trabalho docente no Brasil.

25 Visitas totales
25 Visitantes únicos
Autor(a)

Glenda Caroline Meireles da Costa Rodrigues

Orientador(a)

Arlete Maria Monte de Camargo

Curso

Educação

Instituição

UFPA

Ano

2023