Tratar sobre os usos da branquitude na psicologia brasileira é primeiramente problematizar e reconhecer o lugar que a pessoa branca ocupou na história e as reverberações desta ocupação até os dias atuais. Um lugar que é comumente silenciado e não problematizado sobre quem efetivou, legitimou, legitima, reforça racismos e é positivado em sua existência: o sujeito branco. Como objetivo geral, esta pesquisa busca problematizar os usos do dispositivo de branquitude em artigos, dissertações e teses na Psicologia brasileira. Como objetivos específicos: analisar sobre os usos do dispositivo de branquitude e a relação com a discussão racial da psicologia enquanto saber no Brasil; problematizar os usos do dispositivo de branquitude nos arquivos selecionados; analisar os contextos políticos em que se materializam os usos deste conceito. Para o alcance dos objetivos, será utilizado como metodologia a genealogia de Michel Foucault que possibilitará a formação e análise de séries discursivas a partir dos arquivos selecionados. Referente à seleção dos documentos a serem analisados, fora utilizado como descritor a palavra “branquitude”. A busca foi realizada nas seguintes plataformas: Portal de periódicos eletrônicos de Psicologia (PEPSIC), nas revistas: Psicologia Ciência e profissão, Revista Psicologia Política, Revista Psicologia & Sociedade, e no Catálogo de dissertações e teses da CAPES totalizando 22 arquivos, dentre estes 17 foram encontrados completos e 1 destes, apenas o resumo. Destarte, foi realizada a análise dos documentos encontrados, ou seja, a análise dos 18 documentos. Sugiro a compreensão da branquitude como um dispositivo, “Dispositivo de branquitude”, tendo em vista esta ser transpassada por elementos históricos, institucionais, políticos, econômicos, sociais, alicerçados pelo colonialismo e pela colonialidade e fundante de um racismo estrutural. Problematizar a branquitude enquanto dispositivo, possibilitou complexificar a discussão sobre raça, bem como analisar o exercício da branquitude nas relações de poder a partir de uma hierarquia racial, que silencia sua raça e atribui raça ao “outro”. Outrossim, foi possível perceber e analisar o apontamento das lacunas e dos silêncios da branquitude nos arquivos acerca da pouca produção sobre o sujeito branco enquanto objeto de estudo na psicologia, estando os estudos sobre racismo em sua maioria localizados nas violências sofridas por pessoas negras a partir de uma perspectiva não racializada.
Psicologia e Relações Raciais: Um Estudo sobre os Usos do Dispositivo de Branquitude na Psicologia Política e Social Brasileira
Lauany Câmara Chermont Pinheiro
Orientador(a)
Flávia Cristina Silveira Lemos
Curso
Psicologia
Instituição
UFPA
Ano
2021


