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Cartografias Político-Afetivas no Presente: Práticas de Resistência do povo em Situação de Rua em Belém

14 de Abril, 2025 . Teses Daiane Gasparetto da Silva

As forças constituintes dos espaços urbanos, quando analisadas em termos de agenciamento e multiplicidade, possibilitam vias de entendimento sobre as práticas sociais. Por tal razão, problematizar a construção nas cidades de redes de determinados grupos minoritários, que visam à garantia de direitos e afirmação de lugares de cidadania, demanda um olhar sobre diversos aspectos relacionados à produção de territórios existenciais. Considerando estas premissas, este estudo questiona de que maneira o povo em situação de rua tem construído, na cidade de Belém, na região norte do Brasil, práticas de resistência que podem fomentar a articulação de redes políticas e afetivas. Visando o desenvolvimento desta temática no campo da psicologia social, a pesquisa buscou cartografar (com base na noção de cartografia em Deleuze e Guattari) práticas de resistência do povo em situação de rua, bem como a emergência de redes político-afetivas deste grupo na região norte do Brasil entre os anos 2005 e 2018, a fim de traçar o diagrama de forças em movimento no cenário atual que contribuem para articulação deste segmento em suas lutas. Nesse sentido, a organização documental se deu a partir de: 1) narrativas de pessoas com trajetórias de rua (6 entrevistas individuais e 2 rodas de conversa); 2) narrativas de servidores públicos que atendem pessoas com trajetória de rua (7 entrevistas individuais); 3) produções de pessoas com trajetória de rua (jornais, desenhos, textos etc.); 4) narrativas pessoais sobre o campo estudado. No intuito de ancorar a análise, a genealogia e arqueologia foucaultiana foram utilizadas como operadores metodológicos, a fim de possibilitar uma perspectiva crítica e histórica sobre as práticas sociais que estão relacionadas à produção de subjetividade. A partir desses documentos, nota- se a presença de inúmeros agenciamentos político-afetivos relacionados às resistências de pessoas em situação de rua, as quais trazem a dimensão dos direitos como importante campo de construção de suas lutas. O cotidiano na cidade, permeado por misérias e violências, arma o resistir na perspectiva da sobrevivência, tendo a constituição de movimentos sociais destaque nos enfrentamentos atuais, os quais também operam pela reinvenção de formas de viver. Os atravessamentos de discursos institucionais, marcados pelo que se produz a partir dos serviços ofertados à população em situação de rua, por meio de políticas públicas, também são elementos de análise dos processos de acolhimento, politização e criação junto a este segmento. Por fim, as alianças com coletivos diversos da sociedade civil, tais como grupos religiosos, artísticos e acadêmicos, despontam como outras linhas de produção das lutas do presente.

Autor(a)

Daiane Gasparetto da Silva

Orientadores(as)

Dolores Cristina Gomes Galindo

Flávia Cristina Silveira Lemos

Curso

Psicologia

Instituição

UFPA

Ano

2015