
O livro aborda as vivências de mulheres negras escravizadas e libertas, em Belém do Pará, destacando seu protagonismo na luta pela liberdade. Partindo de três eixos temáticos inter-relacionados, o trabalho, a maternidade e a liberdade, o estudo demonstra que, embora homens e mulheres escravizados partilhassem o mesmo sistema de exploração, não o vivenciavam da mesma forma. Assim, gênero, raça e condição jurídica aparecem como categorias organizadoras dos sistemas de opressões que atravessavam a vida dessas mulheres as quais, mesmo após a conquista da liberdade, não deixavam de ser afetadas pela lógica escravista ainda em voga. Nesse cenário, a maternidade tornou-se um campo de disputa, com os escravistas se empenhando em apartar as famílias negras por meio de representações violentas sobre a maternidade negra. Por outro lado, as mães negras não deixaram de reivindicar para si a manutenção dos laços afetivos, fazendo valer as suas próprias noções de família, educação, cuidado e trabalho, construindo seus lugares como mães e contribuindo para o projeto de liberdade mais amplo. Logo, a maternidade também era um espaço de resistência, onde a família negra e a comunidade negra articulavam redes de solidariedade para garantir sua existência e perpetuidade. Para tanto, as mulheres negras eram essenciais, agindo ativamente para a conquista da liberdade legal, e, com isso, puderam contribuir para o andamento da abolição da escravidão.


