A pesquisa discute a relação rural-urbano em área de colonização antiga na Amazônia, referente ao trecho da antiga Estrada de Ferro de Bragança, entre os Municípios de Belém e Bragança, no Nordeste Paraense. Com base em revisão bibliográfica, pesquisa documental, observação sistemática de campo e entrevistas semi-estruturadas com agentes locais, são analisadas as mudanças que alteraram formas geográficas e suas respectivas funções nessa sub-região; mudanças essas que se expressam em diferentes padrões de organização espacial. Para a efetivação dessa análise foram selecionadas as agrovilas de Iracema e 3 de Outubro (Município de Castanhal) e São Jorge do Jabuti e Porto Seguro (Município de Igarapé-Açu), buscando-se, a partir delas, compreender as interfaces entre o mundo rural e o mundo urbano dessas agrovilas com as respectivas sedes municipais e outras cidades próximas. No decorrer da análise, discute-se a origem desses espaços rurais surgidos no final do século XIX e início do XX e de sua inserção em um padrão de ordenamento espacial estabelecido inicialmente pela cidade, pela estrada de ferro e pela colônia agrícola. Mostra-se que a existência das mesmas fez parte de um projeto governamental de incrementar a atividade agrícola na então denominada região Bragantina, por meio da introdução da mão-de-obra de estrangeiros e de brasileiros nordestinos, durante o período de exploração da borracha. Naquele momento os agricultores realizavam plantações voltadas à subsistência e ao mercado regional, havendo dificuldades de interação colôniacidade, mesmo com a presença da Estrada de Ferro Bragança. Por outro lado, o sistema de relações sociais estabelecido nas colônias era marcado pela ajuda mútua e pela solidariedade orgânica entre os sujeitos. A partir da década de 1960 houve uma reconfiguração da geografia da área, mediante à desativação da ferrovia e da estruturação de outro padrão de ordenamento espacial, baseado, desta feita, na rodovia, na cidade e na colônia agrícola. Neste período atual, o espaço, particularmente o agrário, é beneficiado com créditos agrícolas, com sistema técnico de comunicação, com eletrificação rural e com estradas, que facilitaram e otimizaram a circulação de pessoas, mercadorias e informações, possibilitando, igualmente, maiores interações entre as colônias e as cidades. Os agentes locais passam a estar voltados à produção e à comercialização de cultivos destinados ao mercado regional, nacional e mesmo ao internacional, concorrendo para a transformação da lógica produtiva das agrovilas e das relações inter-pessoais, marcadas também por um tipo de solidariedade organizacional, mediada pelo valor de troca e pelas demandas de mercado, e por uma tendência de urbanização, manifesta em novos sistemas técnicos e de valores hoje difundidos de maneira mais intensa no espaço local.
Interfaces do Rural e do Urbano em Área de Colonização Antiga na Amazônia: Estudo de Colônias Agrícolas em Igarapé-Açú e Castanhal (PA)
Rogério Rego Miranda
Orientador(a)
Saint-Clair Cordeiro da Trindade Júnior
Curso
Geografia
Instituição
UFPA
Ano
2007


