Skip to main content

Processos de Formação de Sinais: Um Estudo sobre Derivação e Incorporação Nominal na Língua Brasileira de Sinais

Os estudos linguísticos da Língua Brasileira de Sinais (Libras) começaram a se desenvolver a partir das pesquisas pioneiras de Ferreira-Brito (1995), mas, ainda hoje, apesar do desenvolvimento social e de uma popularização da Libras, percebemos uma escassez de pesquisas descritivas dessa língua. Nesse sentido, a presente dissertação tem o objetivo de descrever aspectos morfológicos de formação de sinais a partir dos processos de derivação e de incorporação nominal (IN) na Libras. Nas línguas sinalizadas, a derivação tem sido atestada por diversos pesquisadores. Nessas línguas, ocorre a alteração da raiz pela adição de, pelo menos, um parâmetro ao sinal primitivo (QUADROS; KARNOPP, 2004; JOHNSTON, 2006; FELIPE, 2006; XAVIER; NEVES, 2016; PFAU, 2016). Esse parâmetro pode ser entendido como um morfema gramatical (livre ou preso) que é adicionado de forma simultânea ou sequencial à raiz. A IN é entendida como a associação do verbo e de seu argumento dentro da estrutura sintática (MITHUN, 1984; ROSEN, 1989; MEIR, 1999; FERREIRA, 2013). O resultado de ambos os processos é a criação de um novo sinal. Nesse viés, para a realização da pesquisa, elencamos três formas de coleta de dados. Para o processo de derivação, coletamos os sinais do material da área de Linguagens, Códigos e suas Tecnologias da videoprova em Libras do ENEM 2017, o que perfaz um total de 45 vídeos. Esses sinais foram descritos e distribuídos em tabelas descritivas por tipo de derivação. Quanto ao processo de IN, coletamos sinais do Dicionário da Língua de Sinais do Brasil (CAPOVILLA et al., 2017) e de vídeos de sinalização de pessoa surdas, esses coletados de forma elicitada. Por fim, todos os sinais foram analisados qualitativamente. Os resultados demonstram dois casos de derivação na Libras: (i) derivação infixal, marcada pelo parâmetro movimento (MOV) (derivação direcional do MOV, derivação da dinâmica do MOV e reduplicação do MOV) e pela produtividade do morfema-base TEXTO e (ii) derivação sufixal, estabelecida por meio dos marcadores de negação – PRONAÇÃO-DO-ANTEBRAÇO, além de dois marcadores afixais possivelmente em processo de gramaticalização, marcador – ZERO e marcador agentivo. Na IN descrevemos dois grupos de verbos que incorporam seus argumentos, são eles: verbos manuais e verbos simples. Concluímos que ambos os grupos de verbos apresentam as IN composta e classificatória. Constatamos nos verbos manuais, casos de dupla incorporação, no qual tanto objeto quanto adjunto foram incorporados pelo verbo. Finalmente, concluímos que: (i) os processos de derivação e de IN são produtivos na Libras; (ii) os infixos são mais recorrentes na formação de novos itens lexicais da Libras e (iii) os verbos da Libras apresentam uma tendência em incorporar argumentos que ocupam a função de adjunto da sentença, ou seja, instrumentos de uso habitual.

30 Visitas totales
27 Visitantes únicos
Autor(a)

Walber Gonçalves de Abreu

Orientador(a)

Marília de Nazaré de Oliveira Ferreira

Curso

Letras

Instituição

UFPA

Ano

2019