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Poética do Fracasso: Utopia, Memória e Esquecimento em “Os Detetives Selvagens” de Roberto Bolaño

3 de Junho, 2025 . Dissertações João Pereira Loureiro Junior

O objeto de pesquisa da presente dissertação é o romance “Os detetives selvagens” (1998) do escritor chileno Roberto Bolaño que será investigado a partir de uma discussão teórica que compreende os aspectos conceituais sobre utopia e suas relações com o tema do fracasso enquanto representação estética para uma literatura que abrange o período pós-ditatorial, tendo como dimensão discursiva a própria concepção do romance em uma possível análise sobre uma poética do fracasso. Outro ponto relevante a ser discutido a partir da análise literária da obra de Roberto Bolaño será a dimensão histórica proposta pela narrativa a partir dos conceitos de memória e esquecimento como componentes necessários para compreensão da história latino-americana como marcas indeléveis no que diz respeito aos traumas promovidos pelo advento das ditaduras no continente e como, a partir de uma releitura do passado a derrota geracional passa a ser vista como uma alegoria para a compreensão da resistência enquanto utopia reinventada. Nesse sentido, se analisa a construção estrutural do romance e seus aspectos polifônicos, aplicando-os aos aportes teóricos sugeridos pela pesquisa no afã de estabelecer o sentido de inquietude dos personagens que se movem no tempo e espaço da narrativa procurando por uma utopia que se reinventa como busca permanente, enquanto tentam dar voz a um passado ausente reerguido pelos mecanismos da memória. É importante destacar que além dos referidos aspectos conceituais a respeito de utopia investigados por Fernando Ainsa em A reconstrução da utopia (2006), do tema Fracasso/derrota analisados por Spiller e Sánchez (2009), Sánchez e Basile (2004), Foucault (2003), Idelber Avelar (2003); e da teoria relacionada à Memória e Esquecimento a partir dos estudos de Rossi (2010), Ricouer (2007) e Jacques Le Goff (2003), serão agregados à pesquisa, investigações narratológicas propostas por Gérard Genette (1979), Tzvetan Todorov (2003) bem como outros estudos sobre a novelística de Bolaño propostos por Tena (2010), Sotomayor (2007), a partir do diálogo critico/literário que evidencia a importância de alguns aspectos da obra analisada (narradores múltiplos, narratários-nômades, estrutura polifônica dos testemunhos) a partir deste eterno desejo humano de caminhar por um labirinto selvagem, tal qual os personagens bolañianos, perdidos em suas utopias reinventad.

Autor(a)

João Pereira Loureiro Junior

Orientador(a)

Carlos Henrique Lopes de Almeida

Curso

Letras

Instituição

UFPA

Ano

2018